Tag: pesquisa de causos

Cia ContaCausos lança o projeto “Embornal dos Saberes”
Cia ContaCausos lança o projeto “Embornal dos Saberes”

Finalidade da proposta é agrupar e divulgar artigos acadêmicos e não-acadêmicos sobre narrativa oral

Sabe aquela pesquisa científica sobre narrativa oral que você produziu há alguns meses ou anos? Ou aquele artigo que analisa aspectos da contação histórias? Pois bem, você pode contribuir conosco. Hoje, a Cia ContaCausos lança um novo projeto, o “Embornal dos Saberes”.

A intenção da iniciativa é reunir documentos, pesquisas, artigos e conteúdos resultados de estudos sobre narrativas orais. Desse modo, fortalecemos cada vez mais as investigações voltados à contação e narração de histórias e oportunizamos que outros pesquisadores tenham acesso aos conhecimentos gerados dentro e fora da academia. A proposta ainda é um protótipo, mas aos poucos receberá os aperfeiçoamentos necessários.

O processo é simples. Primeiro, você preenche o formulário de submissão, depois, imprime e assina o Termo de Cessão (para autorizar a publicação no site) e, por fim, encaminha ao e-mail indicado seu artigo, pesquisa ou conteúdo com o Termo de Cessão (escaneado ou assinado digitalmente). Não há prazo final para envio de trabalhos, ou seja, a convocatória está aberta de forma permanente, nem limite de envios ou critério de ineditismo e ano de publicação original do conteúdo. 

Projeto – Embornal dos Saberes

Tradicionalmente, “embornal” era a sacola confeccionada com tecidos grossos (lona, brim ou mescla), utilizada a tiracolo por tropeiros e viajantes que carregavam na bolsa alimentos, utensílios e objetos necessários às longas jornadas.

Apropriamo-nos no termo para criar o “Embornal dos Saberes”, um repositório no site da Cia ContaCausos com a intenção de divulgar e reunir pesquisas, artigos acadêmicos e não-acadêmicos, resultados de estudos sobre:

– cultura popular brasileira e tradições;

– narrativa oral;

– contação de causos, contos, lendas, dizeres e histórias;

– sabedoria popular;

– literatura;

– antropologia, patrimônio imaterial, modos de vida;

– e temas que se alinham aos objetivos da Cia ContaCausos, que são: pesquisar, registrar e difundir a arte da narrativa oral.

Ou seja, assim como o embornal era essencial aos tropeiros, os conhecimentos reunidos são primordiais a nós, o que justifica a referência. A Cia sempre inclinou-se à pesquisa e divulgação das tradições populares ligadas às narrativas orais. A partir de agora, vamos ampliar esse trabalho e oportunizar aos demais pesquisadores a publicação de seus trabalhos para, assim, divulgá-los a outros pesquisadores e comunidade interessada. Por isso, abrimos convocatória permanente para envio de qualquer pesquisa, conteúdo e resultado de estudos sobre os temas indicados acima, para enchermos juntos esse embornal.

 

PASSO 1

Preencher Formulário de Submissão – https://goo.gl/BjXcH2

PASSO 2 

Imprimir e preencher o Termo de Cessão

Versão em PDF – https://goo.gl/iKktX1 

Versão em Word – https://goo.gl/JcezPF

PASSO 3

Enviar conteúdo e Termo de Cessão por e-mail

acervo.contacausos@gmail.com

História pra Contar: Causo de Lobisomem
História pra Contar: Causo de Lobisomem

Esse Causo bão barbaridade quem nos contou foi o seu João Amará, morador de uma comunidade do interior de Chapecó/SC chamada Linha Almeida. Seu João é um contador de causo de primeira, só conta fato acontecido, verídico, experiência vivida e comprovada. Segundo o que ele nos contou, antigamente existia muito lobisomem. Acontece que as famílias eram maiores, o povo tinha muitos filhos e vez ou outra dava o azar de nascer 7 meninos encarreirados, o último rebento carregava o “fardo”, a maldição, só tinha um jeito de escapar, o filho mais velho tinha que batizar o mais novo nas águas santas, tinha que colocar o nome do caçula de Bento. E pronto, resolvia o problema. O transtorno vinha quando o povo esquecia do procedimento. A pessoa garrava o fardo e seguia assim até o fim da vida.

Senta que lá vem o causo, tal qual nos contou o seu João:

” Lobisome? Sim, Tinha. Uma vez tinha um meu compadre. Agora já é morto, compadre Pacífico.

E tinha uma noite lá que tinha uma cachorrada que não deixava a gente dormi e daí eu pensei: – vo pegar essa espingardinha de pressão e vo dá um susto nesses bicho. Mas eu sabia que se tivesse lobisome no meio não prestava matá, porque  diz que se matá vira na coisa mais feia do mundo, então eu ia atirá só pra assustá. Passei a mão naquela espoletinha bem pequenininha, bem fininha mesmo, daí trepei anssim numa área e fiquei esperando, esperando, espiando na beradinha da porta e de repente comecei a ouvir  aquela cachorrada e vi que eles vinham passando assim… e no meio daqueles cachorro  guaipeca  eu vi que tinha um cachorrão, grandão anssim, uns orelhão grande anssim, dai esperei quando ele passou eu atirei e com o estoro  aquele bicho saltô metro e se foi pro mato, só que de repente ficou tudo quieto. A cachorrada voltaram tudo pra traz e ficaram quieto. Dai eu pensei, será que eu matei? e dai me faltou coragem pra ir lá olhar. esperei o outro dia quando clareou e fui espiá, dai tinha só as pegada arrastada no chão. Fico por isso.

Dali três dias eu fui lá na casa de um vizinho, compadre meu pra tomá caldo de cana, e quando cheguei lá esse vivente tava lá, o Pacífico, e ele me olhou assim atravessado e  disse:”- ahhh você… eu tenho uma coisa pra você ali na minha sacola. E eu vi que tinha um facão assim guardado daí eu disse:  “- pra quê compadre?, sempre se demo tão bem! o que foi que eu te fiz?” dai ele mostrou, ergueu a calça anssim e mostro, era uma ferida na perna  – eu tenho essa ferida na perna que não sara. A perna dele tava anssim toda furada de chumbinho bem fininho.

Ele era lobisomem né? dai ele saiu dali e eu nunca mais vi. Mas isso aí aconteceu! eu dei um tiro no lobisomem.”

 Valeu seu João!!!! A sua experiência enriquece o nosso imaginário, já contamos o seu causo pras crianças da região e eles adoram ouvir os causos acontecidos na nossa terra. O senhor nos conta e a gente vai passando adiante. Gratidão!