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Leitura Crítica do Espetáculo VISAGEM  Por Marco Vasques
Leitura Crítica do Espetáculo VISAGEM Por Marco Vasques

Marco Vasques, importante crítico e editor do jornal Caixa de Ponto – Jornal Brasileiro de Teatro escreveu sobre o Espetáculo Visagem que é pesquisa da CONTACAUSOS e tem direção de Jefferson Bittencourt.

“Visagem é simples e radical ao mesmo tempo. Aqui pensando, como bem acentuou Karl Marx, que ser radical é ir às raízes. O que está em evidência no trabalho, para além da exuberância visual e do clima poético em que o público é inserido, é um mergulho profundo no mundo do qual o grupo se alimenta para construir sua poética. Ficam evidentes a noção de pertencimento, de respeito ao universo pesquisado e de uma imersão antropológica que tem por objetivo viver com o outro. Nada no trabalho soa como exótico, folclórico, estranho ou hierarquizado. Josiane Geroldi e a Cia. ContaCausos buscam nas suas raízes o que é mais terno, ou seja, compreender a poesia que atravessa o mundo caboclo cortado de rudezas, de trabalhos manuais e de muitos abandonos.” (Marco Vasques)

Leia a Crítica na Integra no Jornal Caixa de Ponto – Jornal Brasileiro de Teatro – Clicando AQUI

CONTACAUSOS  circula na 35ª Semana Literária Sesc Paraná
CONTACAUSOS circula na 35ª Semana Literária Sesc Paraná

A Cia ContaCausos participa da programação da Semana Literária do Sesc Paraná pelo 4 ano consecutivo, em 2016 as apresentações acontecerão nas Unidades de Foz do Iguaçu, Medianeira, Cascavel, Toledo e Marechal Cândido Rondon no período de 12 a 17 de setembro.

Acesse o site e confira a programação completa na sua cidade: http://www.sescpr.com.br/semanaliteraria/sobre-a-semana-literaria-sesc/ 

O Brasil que se diz, o Brasil que se escreve

Em nossa múltipla nação, com infinitos territórios e paisagens, somos uma gente múltipla, com diferentes manifestações ao longo de um vasto território, palco de constantes transformações. Celebrando a diversidade do Brasil e do povo brasileiro, em 2016, a 35ª Semana literária Sesc e a XIV Feira do Livro Editora UFPR fazem homenagem não a um autor específico, mas às representações do Brasil, e também do Paraná, na literatura contemporânea.

Realização simultânea em 22 das cidades paranaenses que contam com unidades Sesc, entre 12 e 17 de setembro, esta edição da Semana Literária traz O Brasil na minha obra como tema central, promovendo reflexões e debates sobre as maneiras como este país-continente se vê na ficção contemporânea, permitindo-se ainda um olhar para a arte dos paranaenses, vendo como a nossa regionalidade e nossos escritores contribuem para essa movimentação geral que são a literatura e a cultura brasileiras.

Assim, não apenas o Brasil, mas o Paraná também vem para o centro da cena, com sua cultura tradicional e suas expressões contemporâneas – vistas em si mesmas e por meio de ecos, porventura retumbantes, na literatura, no cinema, na música, no teatro, nas artes visuais, na moda, na culinária, configurando nossa identidade cultural híbrida e plural.

Tal diversidade se ramifica em cada cidade, cada unidade Sesc, com escritores convidados e público se encontrando em mesas-redondas, palestras, bate-papos e sessões de autógrafo, oficinas literárias, entre outras atividades e, ainda, nas atrações para o segmento infantil e infantojuvenil, incluindo narração de histórias e oficinas.

É uma programação viva e dinâmica, com muita literatura, apresentações musicais e exposições, envolvendo o público e fomentando a leitura. E, conjugada com a semana, a feira do livro traz livrarias, editoras universitárias e distribuidoras locais oferecendo lançamentos com ótimos descontos.

E nas unidades Sesc espalhadas pelo Paraná também estão garantidas grandes presenças, como José Castello, Oscar Nakasato, Cintia Moscovich, Marcos Peres, Luci Collin, João Anzanello Carrascoza, Karen Debertólis, Cadão Volpato,  Marta Barcellos e Luiz Felipe Leprevost.

A Semana Literária Sesc e a Feira do Livro Editora UFPR valorizam e incentivam a literatura do Paraná e do Brasil. Entre nesta história você também.

(fonte:http://www.sescpr.com.br/semanaliteraria/curadoria/)

 

 

 

TEM ESPETÁCULO NO MUSEU –  Visagem
TEM ESPETÁCULO NO MUSEU – Visagem

Espetáculo “Visagem” revela causos e crenças populares da região

Lembra-se daqueles contos macabros que os avós contavam sobre criaturas esquisitas ou as lendas sobrenaturais? Bem, se você não lembra, essa será a sua chance. Na próxima sexta-feira (02), a Cia ContaCausos apresentará o espetáculo “Visagem”, no Museu de História e Arte de Chapecó. Mas essa não será uma sessão comum, coisas estanhas poderão acontecer.

A abordagem desse espetáculo tem a intenção de aproximar os causos, relatos e crenças das pessoas, justamente por ser mais intimista. As histórias de “Visagem” resultam de pesquisas e entrevistas que Josiane Geroldi, idealizadora da ContaCausos, realizou com moradores do interior de cidades do Oeste catarinense. A valorização da cultura popular está muito presente em “Visagem”, já que contadora de histórias buscou sua matéria-prima, sobretudo, na oralidade cabocla.

Essa não é a primeira vez que a ContaCausos apresenta espetáculos em espaços públicos, como museus. Dentre as experiências, já foram palcos o sótão do Museu do Vinho Mário de Pelegrin, em Videira, e a Casa da Memória de Piratuba, durante a 11ª Semana Nacional de Museus do IBRAM, em 2013. “Outras ações semelhantes foram acontecendo e, então, percebemos que havia um casamento interessante entre os espaços e as temáticas dos espetáculos”, conta Josiane.

A grande motivação desse formato de espetáculos está na intenção da ContaCausos em apresentar contações pautadas na pesquisa do patrimônio imaterial e levá-la aos espaços de memória. Desse modo, “fomentando novos ambientes para apresentações das produções teatrais e artísticas com temáticas que transitam entre memória e imaginário regional”, lembra a contadora de histórias, que acredita nas experiências significativas e inusitadas como instrumento de encontro com a arte na cidade. O evento é uma parceria da ContaCausos com o Sesc de Chapecó.

Acredita em maldição?

Dizem por aí que quem for convidado a uma sessão maldita e não aparecer, vai ser assombrado pela alma de um velho caboclo. Então não facilite e chegue uma hora antes, para garantir o ingresso. O Museu de História e Arte de Chapecó fica na Avenina Getúlio Vargas, em frente à praça Coronel Bertaso. A apresentação incia à 0h de sexta para sábado, é gratuita e possui classificação indicativa de 14 anos.

 Assessoria de Imprensa: Taulan Cesco

Matéria no G1. Globo – Santa Catarina

visagem - Revista Flash Vip - 2 de setembro visagem - Voz do Oeste - 2 de setembro VISAGEM release, sinopse e Ficha Técnica

Cia ContaCausos e Sesc realizam o ‘Café com Histórias’ nesta sexta (15)
Cia ContaCausos e Sesc realizam o ‘Café com Histórias’ nesta sexta (15)

Evento gratuito combina histórias, contadores e muito café.

Ouvir histórias sempre é muito bom, mas imagine histórias acompanhadas de um café – é melhor ainda. Esta é a proposta da terceira edição do “Café com Histórias”. O evento reúne contadores, entusiastas e “ouvidores” numa roda de contação intimista e aconchegante.

A iniciativa é organizada pelo Sesc de Chapecó, em parceria com a  Cia ContaCausos, e mediada pela contadora de histórias Josiane Geroldi. Esta edição contará com a participação dos contadores Henrique Sagave, Eva Lenita Trierveiler, Marcelo Wundervald, Marineuse Bet, Camila Miotto e Lila Marilia. A principal intenção do “Café com Histórias” é promover a contação de causos e contos populares, convidando crianças, jovens e adultos a imergir na atmosfera lírica que as histórias proporcionam.

“É interessante notar que o ‘Café’ se caracteriza pela diversidade de estilos de narrativas, desde fábulas a contos populares. Porque cada contador escolhe o que vai contar levando em consideração o público, o ambiente e o clima que se estabelece”, explica Josiane.

O evento, que acontece nesta sexta-feira (15), às 20h, na Biblioteca do Sesc de Chapecó, é gratuito e a classificação indicativa é livre. Mas vale lembrar uma condição essencial para participar: levar sua imaginação.

De acordo com Josiane, a proposta desta roda de contação, que envolve a narrativa oral, o café e o ambiente intimista, tem um propósito: “fazer com que as pessoas sintam-se acolhidas, próximas umas das outras, além de degustar um saboroso café; ou seja, é só amor”, brinca a contadora de histórias.

Histórico

Desde a sua idealização, o “Café com Histórias” propõe o encontro de contadores e escutadores, em espaços públicos de Chapecó, regado a um bom café. A primeira edição do evento foi realizada em 2014, no Café Brasiliano, com a presença dos contadores Eládio Disner, Henrique Sagave e Josiane Geroldi. No ano seguinte, o encontro – ainda no mesmo ambiente – foi conduzido por Josiane Geroldi, Rosy Liedy, Henrique Sagave, Eva Trieveler e Roni de Paula, de Xanxerê.

A decisão de transferir a roda para a Biblioteca do Sesc se deu em razão de ocupar o espaço com apresentações de contação de histórias e dinamizar o ambiente, assim como pelo fato de se tratar de um lugar sugestivo à narrativa oral.

Confira fotos do evento:

História pra Contar: O VEADO E A BARATA –  Conto Popular
História pra Contar: O VEADO E A BARATA – Conto Popular

 

As baratas são uma das subinquilinas mais importunas e detestadas em nossas habitações. Por isso, muitas pessoas, aborrecidas com o aparecimento dessa “imundícia” em suas casas, lançam mão de todos os meios para livrar-se delas. A barata ocupa no folclore um lugar importante, sendo encontrada em modinhas, superstições benéficas e maléficas, jogos infantis, medicina popular, provérbios, adivinhações, etc. Mas nem todos apreciam sua companhia, empregando vários meios para “expulsá-las” das casas.

Em Barueri (SP), para expulsá-las, é preciso ficar de pé no meio da casa, de manhã cedinho, durante três sextas-feiras, e dizer o seguinte:

“Barata-rabi,
Que veio fazer aqui?
Brigou com compadre
e comadre,
E se puxa daqui!”

Havendo muitas baratas em casa, basta chamar uma delas pelo nome de “mulher de padre”, que sumirão todas (Bragança Paulista, 1957).

Outro processo: numa sexta-feira de manhã, sem conversar com ninguém, e em jejum, distribui-se um punhado de milho em três cantos da casa, dizendo: “Barata, vai embora!” Deixa-se livre um dos cantos para a barata poder sair (General Salgado, SP, 1958).

Pode-se ainda, encostado em um dos cantos da casa, dizer o seguinte:

A moça do padre
Lhe convida pra missa.
Vá com ela e seja feliz,
Igual quem come e não reza,
Ou quem trabalha no domingo.

Repete-se esta prática durante três sextas-feiras seguidas, sempre deixando livre o quarto canto. O mesmo deve ser feito para expulsar os percevejos da casa e as formigas da roça; neste último caso, a prática deve estender-se a três cantos da roça (Teófilo Otoni, MG, 1958).

Efeito semelhante se consegue quando, em uma sexta-feira, com um pano na mão, se diz: “Comadre barata, venha aqui, venha aqui!”, agitando-se o pano na direção da porta, como se estivesse afugentando a barata (Barueri, SP, 1959).

Muito usado é também o seguinte procedimento – dentro de uma caixa de fósforos colocam-se três baratas e joga-se a caixa, de costas, para o quintal do vizinho, se a este não nos liga alguma amizade. As baratas mudar-se-ão da nossa para a casa do vizinho (Barueri, SP, 1957).

Uma outra variante dessa prática foi-nos enviada pelo senhor Benedito A. Lua (Santana do Parnaíba, SP): para acabar com as baratas coloca-se uma delas em uma caixa de fósforos, juntamente com uma moeda de tostão (10 centavos) e joga-se a caixinha na primeira encruzilhada, não se olhando para trás. A pessoa que apanhar a caixinha “leva para sua casa todas as baratas, ficando o que fez a simpatia completamente livre desses bichinhos.”

Se nenhuma dessas estratégias der certo, utilize a estratégia desse veado:

 O VEADO E A BARATA – VERSÃO DE CONTO POPULAR

O veado fez sua casa. Aprontou-a, endireitou-a bem, botou os seus carreguinhos dentro, arrumou-os, fechou a porta e foi para o mato procurar a vida. Andou por lá, andou, até a noitinha. Quando voltou para casa, que foi metendo a chave na porta, ouviu aquela vozinha muito fina, cantando lá dentro:

‘Tui-tu, quinanã-ã,
Xô-xô, curió matou.’

Ficou espantado. Levantou a cabeça e disse:

– Ih! eu que  não entro em casa…

Tornando a ouvir a voz, tirou a chave mais que depressa e saiu correndo pela estrada afora, com o cotoquinho do rabo em pé, se foi voando pela estrada. Adiante, encontrou o boi:

– Boi, me acode!

– O que é, veado?

– Quando eu ia abrindo a porta da minha casa, tinha um bicho cantando lá dentro e eu não entrei, com medo de que ele me pegasse.

– Ora, seu medroso, vamos ver isso, disse o boi, eu chego lá, meto o chifre na porta e acabo com o tal bicho que está cantando dentro da tua casa.

Saiu o boi na frente e o veado atrás, desconfiado. Quando foram chegando na porta, que o veado foi metendo a chave na fechadura, o bicho cantou lá dentro.

‘Tui-tu, quinanã-ã,
Xô-xô, curió matou.’

Assim que o boi ouviu aquilo, disse:

– O quê, veado? Vou m’embora. Isso é o diabo.

E empurraram o pé no mundo, que iam em termo de se arrebentarem. Já muito longe, encontraram o bode, a quem o veado contou o que se estava passando. O bode disse que ia acabar com o bicho que estava metendo medo ao veado.

Foram os dois. Porém o bode, ouvindo o bicho cantar, abriu a guela, dizendo:

– Não, veado. O filho de meu pai não entra lá, não.

O mesmo aconteceu a muitos outros animais. Nenhum teve coragem de entrar na casa do veado. Afinal, estava o pobre do bicho de cabeça baixa, pensando como havia de ser para botar aquele importuno para fora de sua casa, quando viu um enorme carreiro de formigas de correição.

– Ai, formigas, disse o veado, me acudam, que eu não posso entrar na minha casa, porque, quando eu vou metendo a chave na porta, canta um bicho lá dentro, que me mete medo.

– Ora vamos ver essa história, – responderam as formigas.

O carreiro das formigas dirigiu-se para a casa do veado e ele no coice. Quando foi chegando na porta, que foi metendo a chave na fechadura, o bicho cantou lá dentro como das outras vezes. Disseram as formigas:

– Espere aí, veado.

Entraram por debaixo da porta e o veado ficou do lado de fora, arisco, com as orelhinhas em pé, pronto para se escapulir. As formigas correram a casa toda, e o bicho cantando, sem que elas o pudessem descobrir. Afinal, foram dar com uma baratinha lá num canto muito escuro, de asinhas arrebitadas, que estava se acabando de cantar. Agarraram-na e trouxeram-na pra fora:

– Tá aqui veado, quem te fazia medo!

Mataram a pobrezinha e levaram-na em pedacinhos para o formigueiro.

O veado entrou para a sua casa e foi dormir de papo para o ar.

Colorin colorado, este conto está acabado!

Fonte: Jangada Brasil

por Karol Lenko e Nelson Papavero