Tag: Josiane Geroldi

História Pra Contar: Os Compadres Corcundas
História Pra Contar: Os Compadres Corcundas

Era uma vez, dois compadres corcundas, um Rico outro Pobre. O povo do lugar vivia zombando da corcunda do Pobre e não reparava no Rico. A situação do Pobre, que era caçador, andava meio mal.

Certo dia, sem conseguir caçar nada, já tardinha, sem querer voltar para casa, o Pobre resolveu dormir ali mesmo no mato.

Quando já ia pegando no sono ouviu uma cantiga ao longe, como se muita gente cantasse ao mesmo tempo.

Saiu andando e andando no rumo da cantiga que não parava. Depois de muito andar, chegou numa clareira iluminada pelo luar e viu uma roda de gente esquisita, vestida de diamantes que brilhavam com a lua. Velhos, rapazes, meninos, todos cantavam e dançavam de mãos dadas, o mesmo verso, sem mudar:

– “Segunda, Terça-feira, Vai, vem! Segunda, Terça-feira, Vai, vem!”

Tremendo de medo, escondeu-se numa moita e ficou assistindo aquela cantoria que era sempre a mesma durante horas e horas.

Depois ficou mais calmo e foi se animando. E como era metido a improvisador, entrou no meio da cantoria entoando:

– “Segunda, Terça-feira, Vai, vem! E Quarta e Quinta-feira, Meu, bem!”

Imediatamente todos ficaram em silêncio, e o povo espalhou-se à procura de quem havia falado. Pegaram o corcunda e o levaram para o meio da roda. Um velhão, então, perguntou com voz delicada:

– Foi você quem cantou o verso novo da cantiga?

– Sim, fui eu, Senhor!

– Quer vender o verso? – perguntou o Velhão.

– Olha, meu senhor, não a vendo. Melhor, dou-lhes de presente, porque gostei demais do baile animado.

O Velho achou graça e todo aquele povo esquisito riu também.

– Pois bem – disse o Velhão – uma mão lava a outra. Em troca do verso eu te tiro essa corcunda e esse povo te dá um Bisaco novo!

O Velho passou a mão nas costas do caçador Pobre e a corcunda , como numa mágica, sumiu. As pessoas lhe deram um Bisaco novo e disseram que ele deveria abrir somente quando o sol nascesse.

O Caçador meteu-se na estrada e foi embora. Assim que o sol nasceu abriu o bisaco e o encontrou cheio de pedras preciosas e moedas de ouro.

No outro dia comprou uma casa com todos os móveis, comprou uma roupa nova e foi à missa porque era domingo. Lá na igreja encontrou o compadre Rico, também corcunda. Ele quase caiu de costas, ficou muito surpreso com a mudança. Mais espantado ficou quando o compadre, antes pobre e agora rico, contou tudo que aconteceu ao compadre Rico.

Cheio de ganância, o Rico resolveu arranjar ainda mais dinheiro e livrar-se da corcunda nas costas.

Esperou uns dias e depois se meteu no meio do mato. Tanto fez que ouviu a cantoria e foi na direção da toada. Achou o povo esquisito dançando numa roda e cantando:

– “Segunda, Terça-feira, Vai, vem!

Quarta e quinta-feira, Meu, bem!”

O Rico não se conteve. Abriu o par de queixos e foi logo berrando:

– “Sexta, Sábado e Domingo, Também!”

Como antes, todos ficaram em silêncio. O povo esquisito voou para cima do homem atrevido e o levaram para o meio da roda onde estava o Velhão. Esse gritou, furioso:

– Quem mandou se meter onde não é chamado, seu corcunda besta? Você não sabe que gente encantada não quer saber de Sexta-Feira, dia em que morreu o filho do alto?!

O corcunda Rico olhou sem reação e nada disse. O Velhão continuou exclamando em voz alta:

– Gente encantada não quer saber de Sábado, o dia em que morreu o filho do pecado, e nem de Domingo, dia em que ressuscitou quem nunca morre! Não sabia disso? Pois fique sabendo! E para que não se esqueça da lição, leve a corcunda que deixaram aqui e suma-se da minha vista, senão acabo com seu couro!

O Velhão passou a mão no peito do corcunda Rico e deixou ali a corcunda do compadre Pobre. Depois, deram uma carreira no homem, que ele não sabe como chegou em casa.

E assim viveu o resto de sua vida: Rico, mas com duas corcundas, uma na frente e outra atrás. As corcundas tornaram-se seu fardo, para ele deixar de ser ambicioso.

ContaCausos e Sesc Chapecó promovem Oficina de Contação de Histórias
ContaCausos e Sesc Chapecó promovem Oficina de Contação de Histórias

 

Atividade acontecerá em dois encontros e procura sensibilizar e formar novos contadores

Quem não lembra das histórias contadas pelos avós, das rodas de fogueira ou ao redor do fogão a lenha? Mas quem continua contando tais histórias hoje? Voltado ao fomento das tradições, o trabalho da Cia ContaCausos com as oficinas de formação busca incentivar e sensibilizar novos contadores. Além disso, a proposta é provocar reflexões sobre a narrativa oral, sua relevância história, social e cultural.

quarta_NOITE (8)

Pensando nisso, o Sesc em Chapecó, em parceria com a Cia, promove uma Oficina de Contação de Histórias. Serão dois encontros onde educadores, contadores, pesquisadores, artistas, produtores e público interessado na arte da narrativa poderão aumentar o repertório sobre os estudos da oralidade. Pois ao se pensar em contação de histórias, emerge desse espaço inúmeras possibilidades: desde pesquisa e repertório à expressão corporal.

Ou seja, além de prática, a oficina pretende problematizar, analisar e instigar aos elementos que envolvem a pesquisa acerca das narrativas. “Toda narrativa oral é resultado de representações e expressões populares, de criações sobre a realidade. E isso faz parte da nossa identidade, da cultura, das construções simbólicas. Ou seja, pensar nas histórias envolve pesquisar o que elas representam e como dialogam com outros elementos da cultura”, salienta Josiane Geroldi, idealizadora da ContaCausos e oficineira.

Como faço minha inscrição?

A oficina será dividida em dois encontros (sábados): no dia 8 de julho e 15 de julho. Em ambos os dias, a programação será das 8h às 12h e das 13h30 às 19h30, totalizando 20 horas de curso (com emissão de certificado). As inscrições podem ser feitas na Unidade do Sesc em Chapecó, na rua Brasília, 475 D, no bairro Jardim Itália, local onde o encontro será realizado. A oficina possui investimento de R$ 110,00 (para público em geral) e R$ 50,00 (para comerciários, com carteirinha do Sesc). As vagas são limitadas, então se antecipe e garanta logo sua vaga.

Texto e fotos: Assessoria de Imprensa

Histórias Pra Contar: O conto de Saduci (Saci)
Histórias Pra Contar: O conto de Saduci (Saci)

Praticamente todo mundo conhece ou já ouviu falar no Saci-Pererê. O personagem folclórico é um dos mais recorrentes quando falamos em contação de histórias. Mas você conhece o conto do príncipe Saduci que tornou-se o popular Saci? Ainda não? Pois aqui está a lenda…

O conto de Saduci

Contam por aí, que o Saduci era um belo príncipe conhecido por sua bravura e força. Ele vivia muito feliz em sua terra natal e zelava pelo seu povo. Mas um dia, os portugueses invadiram sua aldeia, o sequestram e levaram embora muitos moradores para se tornarem escravos…

Quer saber o que aconteceu com Saduci? Continue lendo o conto.

Ilustração: Luiz Mendes

Cia ContaCausos circula com espetáculos e oficinas
Cia ContaCausos circula com espetáculos e oficinas

 

Junho “malemal” começou e já promete ser um mês intenso. Em circulação por Santa Catarina, a Cia apresentará espetáculos e realizará oficinas em três cidades. A jornada inicia na terça-feira (06) com o espetáculo “Visagem” no Sesc em Cacupé, durante um encontro entre técnicos das unidades do Sesc. Além disso, a contadora de histórias Josiane Geroldi foi convidada para trocar experiências no encontro e falar sobre a trajetória e trabalho de pesquisa da ContaCausos.

Quem pretender se tornar um contador ou mesmo aumentar o repertório de pesquisa terá a oportunidade no dia 09. A Cia realizará uma oficina de formação de contadores em Indaial. Depois, no dia 10, o destino é outro: Pato Branco (Paraná). Através da unidade do Sesi na cidade, o público poderá ouvir histórias do menino do capuz vermelho no espetáculo “Foi Coisa de Saci”. A narrativa evoca relatos sobre a aparição do malandro e a confusão que ele costuma criar.

A Feira do Livro de Timbó, onde a Cia realizaria dois espetáculos, foi cancelada e ainda não foi divulgada nova data. O evento iniciaria nesta quarta-feira (07) e seguiria até o dia 11 de junho.

 

06/06 – Encontro Sesc Cacupé

09/06 – Oficina de Formação de Contadores – Indaial

10/06 – “Foi Coisa de Saci” – Sesi Pato Branco

 

Foto: Louis Radavelli Rodrigues

Texto: Assessoria de Imprensa

Relato da ContaCausos inspira ilustração do Lobisomem
Relato da ContaCausos inspira ilustração do Lobisomem

Trabalho criado por estudante de Design faz parte de um livro

Foi depois de um encontro por acaso que a estudante de Design Maria Augusta Scopel Bohner, 19 anos, acabou ilustrando um dos personagens folclóricos brasileiros mais conhecidos: o Lobisomem. Maria assistiu ao espetáculo de “Visagem”, da ContaCausos, e após a sessão acabou se inteirando mais sobre os figuras recorrentes na tradição oral do Oeste catarinense em uma conversa com a contadora de histórias Josiane Geroldi.

ilustracao

Ilustração do Lobisomem criada por Maria Augusta, a partir de relatos e pesquisas (Crédito: Maria Augusta Scopel Bohner/SG Arte Visual)

“Visagem” é resultado da pesquisa da Cia que iniciou em 2008. O espetáculo reúne narrativas, experiências, causos e crenças da região Oeste compilados através de entrevistas com comunidades tradições do interior das cidades. Maria havia sido provocada pelo curso (em fase de conclusão) a ilustrar uma história ou conto regional e a experiência do espetáculo acabou lhe inspirando. A jovem procurou no site da Cia contos sobre o Lobisomem e, ao encontrar referências, criou esse trabalho incrível.

“Achei muito interessante [o conto do Lobisomem], amo conhecer mais sobre cultura e folclore. Às vezes, vivemos imersos em um ambiente muito influenciado pelas culturas estrangeiras, que acabamos nos esquecendo da riqueza cultural próxima a nós. Sou apaixonada pela iniciativa da Cia ContaCausos, especialmente por resgatar as histórias regionais”, explica Maria, que é chapecoense, mas estuda em Florianópolis e que conta ter sido a primeira vez que ouvir histórias do personagem ilustrado aqui na região.

VEJA TAMBÉM

História Pra Contar: Causo de Lobisomem

No fim do ano passado, a ilustração de Maria e de outros colegas foram publicadas no livro “Lendas”, organizado pelo artista e ilustrador chapecoense  Samicler Gonçalves, proprietário da SG Arte Visual, escola onde Maria conclui os trabalhos. A obra reúne narrativas autorais, adaptações e releituras de narrativas regionais que instigam o leitor a participar do universo literário criativo. “A proposta é fomentar a cultura local e incentivar os elementos que compõem a região em que estamos inseridos”, explica Samicler. Aos interessados, o livro pode ser adquirido na livraria da SG Arte Visual, localizada na Galeria Zandonai, sala 09, Avenida Nereu Ramos, 247-E, Centro de Chapecó.

Quer saber mais sobre o trabalho de Maria? Acompanhe as redes sociais da ilustradora:

Instagram

Tumblr

Behance