Tag: Josiane Geroldi

Vozes Vivas: Novo espetáculo dá vida aos saberes sobre São João Maria
Vozes Vivas: Novo espetáculo dá vida aos saberes sobre São João Maria

As histórias sobre o São João Maria perpassam gerações. Muitos viram, muitos não viram, alguns creem em sua divindade e outros só ouviram falar. Mas o certo mesmo é que o imaginário da população cabocla do Oeste catarinense mantém vivo os causos sobre os milagres do monge peregrino até hoje. A Cia Contacausos prepara um novo espetáculo de pesquisa: ‘Vozes Vivas’ tem o objetivo de dar voz e imagens às narrativas orais sobre o monge São João Maria.

O projeto dá visibilidade à cultura oral e às manifestações culturais locais e regionais. Segundo a pesquisadora e contadora de histórias, Josiane Geroldi, o objetivo é estimular o reconhecimento e a valorização dessas expressões como manifestações do patrimônio imaterial e assegurar a continuidade das narrativas e expressões populares.

Por enquanto, a fase é de pesquisa. Estão sendo realizadas entrevistas com a população local. Afinal, as portas estão sempre abertas e histórias não faltam. Mas o estudo iniciou bem antes, há 10 anos durante o trabalho de conclusão de curso em Letras, e agora se atualiza com novas histórias, novos entrevistados e novos causos.

O projeto foi selecionado pelo Edital Municipal de Fomento e Circulação das Linguagens Artísticas de Chapecó 2017 realizado pela Secretaria de Cultura da prefeitura municipal de Chapecó.

Vozes Vivas: Novo espetáculo dá vida aos saberes sobre São João Maria

Vozes Vivas: Novo espetáculo dá vida aos saberes sobre São João Maria

Espetáculo multimídia

O resultado da pesquisa poderá ser conhecido no site contacausos.com.br, onde as narrativas compiladas estarão à disposição para consulta pública, e na dramaturgia do espetáculo Vozes Vivas que tem direção de Max Reinert. O espetáculo irá explorar diferentes mídias – áudio, vídeo e oralidade – e faz uso da combinação destas linguagens com cuidado estético e poético para compartilhar o saber dos caboclos.

No palco, as características específicas do vocabulário caboclo são respeitadas e os saberes se mantém vivos na riqueza de imagens, força, dialeto e expressões culturais dos áudios e vídeos, possibilitando experiências significativas sensoriais entre imagem e os sentidos dos espectadores.

Com previsão de estreia para o segundo semestre de 2018, serão realizadas três apresentações gratuitas: duas em comunidades do interior de Chapecó e uma no Teatro do Sesc Chapecó.

Entrevistas sobre São João Maria estão sendo realizadas com caboclos do Oeste catarinense

Entrevistas sobre São João Maria estão sendo realizadas com caboclos do Oeste catarinense

Mas afinal, quem foi São João Maria?

Segundo relatos de devotos do monge, ele andava pelo mundo, não tinha moradia fixa, passava os dias andando pelas estradas abertas pelas tropas, alimentava-se com couve, usava barba e cabelos compridos e carregava uma trouxinha com alguns utensílios e pequenos objetos. Em suas andanças, parava para pedir abrigo nas casas dos caboclos e fazendeiros. A população afirma que se a família o acolhesse e o tratasse bem, era abençoada; caso contrário, era amaldiçoada.

Monge São João Maria

Monge São João Maria

Percebe-se durante os processos de pesquisa e compilação de narrativas orais feitos pela Cia Contacausos que, apesar de se tratar de narrativas de um personagem do passado, para muitos, seus efeitos, milagres, profecias continuam causando efeitos no presente. Por isso, constituem o imaginário e a cultura das diversas populações que o seguem por meio da devoção, águas santas, crença em profecias ou conhecimentos sobre as plantas e ervas medicinais.

As histórias e ensinamentos sobre São João Maria têm sido difundidas quase que unicamente através da oralidade. Os estudos históricos sobre o personagem estão geralmente atrelados a Guerra do Contestado, mas percebe-se nas entrevistas com as comunidades caboclas que é possível encontrar inúmeras narrativas sobre o monge e um imaginário rico, cheio do que constitui a identidade cultural regional.

MARACÁ: Cia apresenta novo espetáculo de contação de histórias
MARACÁ: Cia apresenta novo espetáculo de contação de histórias

 

Pela sexta vez, a Cia ContaCausos participou da Semana Literária Sesc Paraná, que neste ano chegou a sua 36ª edição. Um dos eventos mais importantes da área de literatura no Brasil, a Semana Literária foi realizada em 23 cidades paranaenses de forma simultânea.

Com o tema “Literatura e(m) Movimento: travessias do tempo e do espaço”, o evento contou com palestras, oficinas, lançamentos e encontros para refletir literatura e a maneira como ela transita no tempo e espaço. Promovida pelo Sesc em Toledo (PR), a Semana foi realizada entre os dias 18 e 23 de setembro. 

maraca - sesc 2 - Lysiane Baldo

Inclusive, a Semana Literária foi palco do mais recente espetáculo de contação da ContaCausos, chamado “Maracá”. O novo trabalho da Cia reúne histórias onde a cabaça (porongo) é o elemento central da narrativa. Ficou com curiosidade? Pois bem, “Maracá” refere-se ao instrumento musical, utilizado em muitas tribos indígenas para rituais e cerimônias tradicionais. Para a etnia Tupinambá, o maracá é muito simbólico. Dizem que quando o instrumento é tocado, a voz dos ancestrais pode ser reproduzida, tornando-o um elemento sagrado.

Muitos contos apresentam a cabaça como instrumento místico ou simbólico. Exemplo disso é o conto sobre o primeiro contador de histórias. Na narrativa de origem africana, o pássaro marabu anotava todas as histórias do mundo. Mas para torná-las memória e não perdê-las, o primeiro buscador de histórias as colocou numa cabaça, e ao beber as histórias da cabaça, ele resolveu o problema. Assim, poderia guardar as histórias em si e contá-las aos demais.

Encontros e histórias

Ao todo, Josiane Geroldi, idealizadora da ContaCausos, realizou 12 apresentações durante a Semana Literária em cinco cidades participantes. Como lembra a contadora, a literatura oral costuma trazer grandes cargas do que somos e de como somos. E isso, segundo ela, depende do tempo, do modo e do sentimento de quem ouve. Ou seja, “as narrativas atuam como pontes construídas pela figura do contador. Nós conduzimos quem ouve, mas é o ouvinte quem faz sua busca pelo o que é narrado”.

Narrar sobre porongos é um tanto quanto poético. Isso porque, o elemento parece ser o recipiente que gera a reunião, através da cuia, do “pote” que alimenta, do berimbau nas rodas de dança, do lugar onde se guarda histórias… Além disso, é rodeado de misticismo e crenças em muitas culturas e etnias por todo o mundo. Se quiser saber mais sobre o espetáculo Maracá, entre em contato conosco! E nos acompanhe pelas redes sociais.

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Fotos: Lysiane Baldo/Facebook

#Popularium: Os filhos do Boto
#Popularium: Os filhos do Boto

 

Quase todo mundo conhece alguma lenda, conto popular, histórias de assombração, causo que vira e mexe acontece… Mas você já se perguntou de onde ou como essas tradições orais surgiram?

O portal Mundo Freak decidiu investigar algumas histórias de tradição oral e criou a série de podcasts “Popularium”. A intenção é explorar os mitos, lendas e folclores de modo a entender suas origens e como dialogam com a sociedade.

Em parceria com o portal, compartilhamos no site Cia ContaCausos os podcasts (que podem ser baixados). Desta vez, a lenda investigada é “Os filhos do Boto”. Costuma-se dizer que os filhos de “pais desconhecidos” são crianças do Boto, que se transforma em um galã vestido de branco, com um grande chapéu que esconde suas narinas e seduz as mulheres.

OUÇA O PODCASTPopularium 01: Os filhos do Boto

DOWNLOAD Popularium 01: Os filhos do Boto

Conheça mais

O portal Mundo Freak surgiu em agosto de 2012, fundado pelo escritor Andrei Fernandes, pela gerente de mídias sociais Ira Morato e pelo professor de história Rafael Jacaúna. A intenção do portal é criar e compartilhar conteúdos sobre cultura popular.

Os episódios de “Popularium” são produzidos através da pesquisa e compilação realizadas por Andrei Fernandes e Andriolli Costa (criador do O colecionador de Sacis).

 

* Conteúdo originalmente publicado no portal Mundo Freak

ContaCausos realiza curso de formação com professores do Sesc Santa Catarina
ContaCausos realiza curso de formação com professores do Sesc Santa Catarina

 

Mais do que ‘ensinar a contar’ histórias, foi um encontro para entender a potência humanizadora das narrativas orais na escola. Assim podemos resumir O curso“Contar histórias na escola: um exercício de humanidade” ministrado por Josiane Geroldi da Cia ContaCausos. A convite do Departamento Regional de Educação do Sesc de Santa Catarina, a atividade reuniu professores na unidade do Sesc escola em Palhoça e São Miguel do Oeste e teve a intenção de problematizar a relevância histórica, social e as possibilidades artísticas da contação de histórias na contemporaneidade.

Ouvir e contar histórias  já foi uma prática comum entre famílias, mas com as transformações das relações familiares o espaço escolar tem se tornado cada vez mais atrativo a essa prática de encontro com a humanidade que existe em nós. Para Josiane as narrativas orais preservam a qualidade de sensibilização humana. Isso porque tocam de forma muito singular cada pessoa. E assim foi conduzido o curso, com foco na instrumentalização dos professores às técnicas e reflexões sobre a contação de histórias. Ou seja, a proposta foi apresentar maneiras e caminhos para realizar a arte narrativa através de experiências significativas no espaço escolar.

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“O curso foi tão intenso que parece ter durado meses”, brinca Franciele Pires, professora do Sesc em Palhoça e participante. “Eu mergulhei de cabeça em tudo o que conversávamos. Viajei por todos os lugares e descobri que posso ir muito mais além”. Segundo Franciele, a experiência a inspirou, dentre outras coisas, a ser mais humana.

 

 

Livros sobre narrativas orais, histórias e ofício do contador
Livros sobre narrativas orais, histórias e ofício do contador

 

Dia 25 de julho é conhecido como o Dia Nacional do Escritor. A data foi criada a partir do 1º Festival do Escritor Brasileiro, organizado ainda na década de 1960 por João Peregrino Júnior e por Jorge Amado, um dos principais ícones da literatura brasileira.

Como todos somos escritores, leitores e ouvidores, separamos algumas indicações de livros sobre a arte da narrativa oral. Alguns títulos possuem versão em PDF, outros somente versão impressa. Desse modo, você pode ampliar suas referências bibliográficas ou compartilhar às demais pessoas.

Lembre de comentar e dizer o que você achou da seleção.

Boa leitura!

 


 

BENJAMIN, Walter. O narrador. Magia e técnica, arte e política. São Paulo: Brasiliense, 1986. (baixe o PDF)

Bettelheim, Bruno. A psicanalise dos contos de fadas. São Paulo: Paz e Terra.1990. (baixe o PDF)

ESTÉS, Clarissa Pinkola. Mulheres que correm com lobos. Rio de Janeiro: Rocco,1994. (baixe o PDF)

BEDRAN, Bia. A arte de cantar e contar histórias – narrativas orais e processos criativos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2012.

BUSATTO, Cléo. Contar e encantar: pequenos segredos da narrativa. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 2004.

CASCUDO, Luís da Câmara. Literatura oral no Brasil. 3. ed. Belo Horizonte: Itatiaia, 1984.

COELHO, Betty. Contar histórias: uma arte sem idade. São Paulo, 1994.

GIRARDELLO, Gilka; FOX, Geoff. Baús e Chaves da Narração de Histórias. Florianópolis ( SESC): Milbocas, 2004.

LIMA, Nei Clara de. Narrativas orais: uma poética da vida social. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 2003.

LISBOA, Marcia. Para Contar histórias – teoria e prática. Rio de Janeiro: Wak editora, 2010.

MACHADO, Ana Maria. Contando Histórias, formando leitores. Campinas, SP: Papirus 7 Mares, 2011.

MACHADO, Regina. Acordais: fundamentos teóricos-poéticos da arte de contar histórias. São Paulo: DCL, 2004.

MATOS, Gislayne Avelar. O ofício do contador de histórias: perguntas e respostas, exercícios práticos e um repertório para encantar. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2009.

MELLON, Nancy. A arte de contar histórias. Rio de Janeiro: Rocco, 2006.

MORAES, Fabiano. GOMES, Lenice. A arte de encantar- o contador de histórias contemporâneo e seus olhares. São Paulo: Cortez, 2012.

SISTO, Celso. Textos e pretextos sobre a arte de contar histórias. Chapecó: Argos, 2001.

TIERNO, Giuliano. A arte de contar histórias – Abordagens poética, literária e performática. São Paulo: Ícone, 2010.

TURCHI, Maria Zaira. Literatura e Antropologia do Imaginário. Brasília: Editora da Universidade de Brasília, 2003

ZUMTHOR, Paul. Performance, recepção e leitura. São Paulo. Cosac Naify,2007.

ZUMTHOR, Paul. Introdução à poesia oral. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2010.