Tag: contação de histórias

História pra Contar: Porque os contadores de história tem boa memória
História pra Contar: Porque os contadores de história tem boa memória

Porque os contadores de histórias têm boa memória e apreciam bons vinhos

Os pássaros não podem escrever, eles têm penas demais.

Ora, conta-se na África ocidental que no início dos tempos não havia histórias e também não havia sabedoria. O mundo era muito triste. Por isso, o primeiro contador de histórias foi também o primeiro buscador de histórias que saiu pelo mundo afora acompanhado de um pássaro-escrivão: o marabu.

O marabu é o único pássaro que sabe qual das penas do seu traseiro deve ser arrancada para que, com ela, se possa escrever, o que faz dele um pássaro especial. É por isso que foi escolhido para sair pelo mundo, pousado no ombro do primeiro buscador e contador de histórias.

Andaram pelo mato afora, pela savana e ao longo dos rios para escutar os ventos, as pedras, as águas, ás árvores e os animais. E encontraram muitas pessoas até então desconhecidas que iam lhes contando suas histórias.

Munido da pena arrancada de seu traseiro e utilizando uma tinta feita de água, pó de carvão e goma-arábica, o marabu-escrivão anotava conscienciosamente todas as histórias que escutava. O buscador e contador de histórias caminhava e pensava:

“Não me será possível recordar todas essas histórias.”

Mas o marabu continuava a ouvi-las e a escrevê-las.

Pois saibam que, uma vez tendo voltado para casa, o primeiro buscador e contador de histórias obteve a solução para o problema que o atormentava. Seguindo os conselhos do marabu, encheu de água uma grande cabaça e nela mergulhou todas as histórias escritas. Durante a noite, naquela cabaça, que na África é chamada de canari, as palavras escritas com tinta se dissolveram na água. No dia seguinte, na refeição da manhã, o marabu mandou que o buscador e contador de histórias bebesse todo o conteúdo do canari como desjejum.

Assim, todas as histórias bebidas tornaram-se histórias sabidas.

Se por acaso você precisar beber uma história, escute o meu conselho: beba tudo. Não deixe nada no fundo do copo, porque isso poderia dar um branco em sua memória.

Essa é a razão pela qual, em todos os tempos, os contadores de histórias sempre foram, também, bons bebedores de vinhos.

Conto publicado no livro O Ofício do Contador de Histórias, de Gislayne Avelar Matos e Inno Sorsy

Baú de Histórias Sesc SC 2016
Baú de Histórias Sesc SC 2016

O SESC SC divulgou nesta semana os espetáculos selecionados para circulação em suas unidades em 2016.
O Espetáculo narrativo Foi Coisa de Saci da Cia ContaCausos é um dos espetáculo selecionados. Esta será a 4ª vez que a ContaCausos tem a honra de participar deste projeto tão importante para o fomento da arte narrativa em SC. Baú de Histórias 2016 aí vamos nós!

Parabéns a todos os grupos selecionados e nossa infinita gratidão aos técnicos de cultura do SC especialmente a unidade de Chapecó pela indicação e confiança no trabalho da Contacausos e a todos que tem contribuído com a nossa caminhada.

Conheça os grupos selecionados aqui.

História pra Contar: A onça e o veado
História pra Contar: A onça e o veado

Tá aí uma história divertida barbaridade! Está entre as mais antigas e mais populares das nossas narrativas de tradição oral. Causo que é ainda hoje passado de avô pra neto e assim adiante. Já foi muito publicada, e cada escritor, folclorista e contador de histórias dá a ela uma versão, aquele floreio bonito, o arremate, o exagero que encanta. Aqui na ContaCausos a gente gosta muito de juntar várias versões, por beleza e força de imagens na narrativa.

Borá encher o embornal?

A onça e o veado 

Conto Popular de origem africana

Os animais sempre viveram na floresta, abrigando-se em tocos de árvores, cavernas, embaixo de pedras em buracos na terra e na copa das árvores.

Um belo dia o veado resolveu construir sua casa. “Vou arranjar um belo lugar para construir a minha casa” disse ele.

Escolheu um lugar bonito, verdinho, florido, na beira do rio.

A onça também se decidiu –“Vou escolher um lugar bem bonito e vou fazer uma bela casa”.

Saiu para escolher o lugar, sem saber, resolveu construir sua casa no mesmo lugar que o veado.

No dia seguinte, o veado foi ao terreno, limpou o mato, capinou, retirou o lixo e foi embora descansar.

Quando a onça chegou e viu o terreno todo limpo disse. –“É deus que está me ajudando!”. Enfiou quatro estacas no chão e ergueu as paredes. No dia seguinte o veado quando chegou ficou muito feliz. –“deus está me ajudando!”. Trabalhou o dia inteiro e cobriu a casa, depois foi dormir morto de cansaço. Parecia até que a onça e o veado tinham combinado, quando um estava trabalhando, o outro estava descansando.

Um dia a casa ficou pronta e a onça mudou-se e ocupou um quarto. No dia seguinte à tardinha, chegou o veado com a sua mudança e ocupou o outro quarto.

De manhã os dois se encontraram. “Então era você que estava me ajudando”?

Depois de muita discussão resolveram morar juntos, cada um na sua.

Combinaram as tarefas, quem buscava água, quem limpava a casa e quem saía para caçar e quem cozinhava.

A onça saiu para caçar e trouxe um veado muito grande e deixou na porta.

O veado ficou muito apreensivo, mas conforme combinado, tratou e cozinhou o veado, mas não comeu.

No dia seguinte era a vez do veado caçar. Na floresta ele viu uma onça dormindo e um tamanduá caçando formigas. O veado disse ao tamanduá. –“Está vendo que aquela onça? Ela vive dizendo que vai comer você.” O tamanduá ficou muito irritado, aproveitou que a onça estava dormindo, deu-lhe um abraço pelas costas e matou-a.

O veado arrastou a onça até a porta da casa e disse “Hoje é seu dia de cozinhar”.

A onça ficou com medo do veado, tratou, assou a carne, mas não comeu.

O veado vigiava a onça e a onça vigiava o veado. Passavam os dias e as noites de guarda, uma noite o sono traiu o veado que caiu e bateu a cabeça numa madeira fazendo zoada, com medo da reação da onça fugiu e bateu a porta. A onça que também dormia assustou–se com o barulho, e com medo do veado fugiu para floresta sem olhar pra traz.

Nunca mais voltaram, ficando a casa abandonada.

fonte: CirandandoBrasil

Na Estrada! Sesc Paraná
Na Estrada! Sesc Paraná

Era quinta-feira. Antes passei dois dias na Maloca pra matar a saudade dos meus. Era quinta-feira quando garrei na estrada de novo, e na Sexta-feira 13 lá se foram mais duas apresentações de Foi Coisa de Saci, uma na escola com gente miúda com olho estralado, será que é verdade? todo mundo querendo conferir de perto a garrafa. Alguém falou: – Eu vi! e pronto…sim, era mesmo verdade! a outra foi no auditório do Sesc Medianeira/PR, gente miúda, mãe, filho, avô e avó, pai e filho, todo mundo junto. De novo, aquela conferida na garrafa, “- mas moça, não consigo ver…” explico que tem que olhar com força, 5,10,15 pessoinhas em volta da garrafa apertando os olhos. Uma delícia de ver. No sábado 14/11 oficina de contação de histórias com professores e depois garrei na estrada de novo, caminho bonito no interior do Paraná, cidades onde já tinha passado no início do ano até chegar em Marechal Cândido Rondon/PR onde tenho o prazer de voltar pela terceira vez para uma semana de 12 apresentações. Não tem jeito mesmo, o caminho a gente descobre andando, as histórias crescem contando e a gente vai virando gente vivendo. viajar sozinho faz a gente fazer “amigos” no posto de gasolina, na pastelaria da esquina, na recepção do hotel, na fila do caixa do restaurante, sempre uma chegada e uma partida. Por hoje,dominguera, um chá de hotel e aquela ponta de saudade da minha gente…a foto não é de hoje…mas o horizonte…Em frente!

Feira do Livro de Balneário Camboriú/SC 2015
Feira do Livro de Balneário Camboriú/SC 2015

Nos dias 09 e 10/11 de 2015 realizamos 05 apresentações do espetáculo Esticando as Canelas – contos para enganar a morte na Feira do Livro de Balneário Camboriú…Foi bem bonito, e sobre a experiência, a contadora de histórias Josiane Geroldi escreveu um pequeno depoimento:

gosto assim…gente bem miudinha, pai, filhos, mãe e avó, escola, professores, estudantes, crianças, livreiros, leitores, gentes, o homem que passava na rua apressado e parou na porta pra espiar e demorou e demorou e só foi embora quando a história acabou. Um outro que insiste pra ele mesmo (ou pros outros?) que ouvir história é coisa de criança, mas vira e mexe espia e deixa o sorriso escapar… A menina que me olha com seus olhos cheios de entendimento e fala bem alto durante a história: – ahh eu entendi (vitoriosa nesse momento) o velhinho era…e antes dela completar a frase esperamos entrar um silêncio necessário, suspensão, ali que mora o tal do encantamento (?), não somos mais os mesmos, fomos todos atravessados.

Dá uma olhada nas fotos da Dagma Castro: