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20 de março – Dia Internacional dos Contadores de Histórias
20 de março – Dia Internacional dos Contadores de Histórias

A palavra dita atravessa os tabiques do tempo e se lança pelas múltiplas vozes, universalizando a narrativa.

20 de março é o Dia Internacional do Contador de Histórias, dia de evocar a humanidade pela linguagem, dia de adorar o sagrado da ancestralidade que nos dá forma!

Esta é a homenagem da Cia ContaCausos aos narradores, contadores, oradores e aos “relatadores” dos causos da vida.

http://https://www.youtube.com/watch?v=j1MHWioF4Ps

Caça ao Saci resulta em três capturas!!!
Caça ao Saci resulta em três capturas!!!

Quem é que não lembra dos avós, pais ou vizinhos contadores de histórias? Ou das rodas noturnas, onde todos sentavam-se ao lado do orador, atentos aos nostálgicos causos de criaturas fabulosas e eventos que desafiavam a realidade? Pensando nisso, a Cia ContaCausos e o Sesc Chapecó realizaram três atividades especiais para ouvidores ávidos em fevereiro.

Há sete anos a ContaCausos desenvolve pesquisa de narrativas orais, mapeando contos, em especial da região Oeste de Santa Catarina. Resultado dessas pesquisas, os espetáculos contribuem com a permanência do folclore regional e da cultura popular. “As narrativas tradicionais trazem uma grande carga do que somos, cada um ao seu tempo, do seu modo, com o seu sentir e entendimento. Então, se você se permite atravessar a ponte conduzido pelos contadores, pode encontrar maravilhas do outro lado, no encontro com você mesmo”, comenta Josiane, contadora há mais de 10 anos.

Contos para todos os gostos

O “Café com Histórias” iniciou a programação de atividades na quinta-feira (09), às 20h, na Biblioteca do Sesc em Chapecó. Na sua quarta edição, o evento promoveu a contação de causos, convidando crianças, jovens e adultos a imergir na atmosfera lírica que as histórias proporcionam.

No sábado (11), foi a vez das histórias macabras. O espetáculo “Visagem” surgiu a partir de estudos e entrevistas que Josiane realizou com moradores do interior de cidades da região, evidenciando, sobretudo, a oralidade cabocla. A apresentação compila crenças e relatos de histórias sobrenaturais, percorrendo o real e o imaginário dos acontecimentos.

Para fechar a semana, domingo (12) teve redemoinhos e tranças em crina de cavalo. O espetáculo “Foi Coisa de Saci”, realizado ao ar livre, no Complexo do Verdão, percorre contos da oralidade brasileira sobre o menino de uma perna só e capuz vermelho. Preso numa garrafa e com a proteção de algumas peneiras, Josiane apresentou o danado ao público, lembrando as molecagens que ele prega no cotidiano. Depois da apresentação, crianças passaram a caçar Sacis entre as árvores do Complexo e o resultado não poderia ser outro: 3 danadinhos apanhados. Há quem ainda duvide da existência deles…

Café com Histórias – Roda de Contadores de Histórias
Café com Histórias – Roda de Contadores de Histórias

“Na África os griots  são músicos, genealogistas, poetas e comunicadores sociais, mediadores da transmissão oral, bibliotecas vivas de todas as histórias, os saberes e fazeres da tradição, sábios da tradição oral que representam nações, famílias e grupos de um universo cultural fundado na oralidade, onde o livro não tem  papel social prioritário, e guardam as histórias e as ciências das comunidades, das regiões e do país.”

Eis que um velho Griot sentindo que sua hora havia chegado e estando à morte,  mandou chamar seus discípulos.

– Sempre fui o intermediário de vocês diante das grandes dificuldades, nos momentos de alegria,  festejos e agora… quando eu me for, vocês terão de fazer isso, sozinhos. E está tudo bem, porque vocês já sabem em que lugar da floresta devem se reunir, sabem exatamente como devem acender a fogueira e também sabem que histórias devem contar. Façam isso e Deus virá.

Depois que  morreu, a primeira geração obedeceu exatamente às suas instruções, diante de dificuldades, comemorações e agradecimentos, os homens iam até aquele lugar exato na floresta, acendiam a fogueira, contavam aquelas histórias e Deus sempre veio.

Na segunda geração, porém, as pessoas não se lembravam exatamente em que lugar da floresta deveriam ficar, mas se reuniram, acenderam a fogueira tal qual seus antepassados haviam lhes ensinado, contaram as histórias e Deus também veio.

Na terceira geração, as pessoas já não se lembravam em que local da floresta deveriam ficar e também tinham  vaga lembrança de como deveriam acender a fogueira, preferiram então não fazê-lo, mas encontraram-se na floresta, contaram as histórias e Deus veio.

Na quarta geração, a floresta era só um bosque, não importava o lugar onde deveriam estar, ninguém sabia onde sequer conseguir a lenha para acender a fogueira  e também não se lembravam das histórias que deveriam contar. Mas uma pessoa ainda se lembrava da história sobre tudo aquilo e a relatou em voz alta. E Deus ainda veio.

E até hoje, já não importa em que lugar, com ou sem fogueira, sempre que contamos uma história em voz alta. Deus Vem!

(reconto de O Dom da História de Clarissa Pinkola Estés)

Foi assim na quarta edição do Café com Histórias – Roda de Contadores de Histórias que acontece desde 2014 em Chapecó/SC. Uma parceria entre a Cia Contacausos, Sesc Chapecó e contadores de histórias convidados: Eva Lenita Trierveler, Marcelo Wundervand, Jonas Prado, Marineuse Bet, Jovani Santos.

Contar Histórias é o que nos move! bem vindo 2017!
Contar Histórias é o que nos move! bem vindo 2017!

Contar as histórias da nossa gente é o que nos move. Em 2017 a Cia Contacausos comemora 7 anos de caminhada.

No ano que passou realizamos 182 apresentações em 47 municípios brasileiros nos Estados de Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais, São Paulo e Mato Grosso. Tivemos a honra de participar como convidados de importantes festivais e encontros nacionais e internacionais de contadores de histórias como o Boca do Céu em São Paulo e o Ecoh em Londrina. Não é possível mensurar a quantidade de ouvintes que foram atravessados pela nossa voz. Foram diversos eventos literários, feiras de livros, maratonas de contos, grandes projetos de circulação do Sesc em Santa Catarina, Paraná e Minas Gerais. Rodas de histórias, oficinas, palestras, pessoas e chão. Muito chão. Guimarães Rosa disse que “quem elegeu a busca, não pode recusar a travessia”, atravessamos e seguimos buscando novos caminhos para caminhar. Em 2017 nós vamos caminhar para contar histórias com você também. Navegue pelo nosso site, conheça o repertório de espetáculos narrativos, a pesquisa, projetos e oficinas.

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Leitura Crítica do Espetáculo VISAGEM  Por Marco Vasques
Leitura Crítica do Espetáculo VISAGEM Por Marco Vasques

Marco Vasques, importante crítico e editor do jornal Caixa de Ponto – Jornal Brasileiro de Teatro escreveu sobre o Espetáculo Visagem que é pesquisa da CONTACAUSOS e tem direção de Jefferson Bittencourt.

“Visagem é simples e radical ao mesmo tempo. Aqui pensando, como bem acentuou Karl Marx, que ser radical é ir às raízes. O que está em evidência no trabalho, para além da exuberância visual e do clima poético em que o público é inserido, é um mergulho profundo no mundo do qual o grupo se alimenta para construir sua poética. Ficam evidentes a noção de pertencimento, de respeito ao universo pesquisado e de uma imersão antropológica que tem por objetivo viver com o outro. Nada no trabalho soa como exótico, folclórico, estranho ou hierarquizado. Josiane Geroldi e a Cia. ContaCausos buscam nas suas raízes o que é mais terno, ou seja, compreender a poesia que atravessa o mundo caboclo cortado de rudezas, de trabalhos manuais e de muitos abandonos.” (Marco Vasques)

Leia a Crítica na Integra no Jornal Caixa de Ponto – Jornal Brasileiro de Teatro – Clicando AQUI