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Espetáculos da Cia ContaCausos circulam o sul de Santa Catarina
Espetáculos da Cia ContaCausos circulam o sul de Santa Catarina

Quatro cidades, mais de 10 espetáculos e muitos causos. Entre os dias 27 de março a 01 de abril, a Cia ContaCausos levará ao Sul e ao Planalto de Santa Catarina narrativas tradicionais da cultura oral brasileira. São histórias de saci, maneiras de enganar a morte e de aparições.

Intimista, ‘Visagem’ reúne causos de arrepiar a espinha e mergulha entre fatos reais e imaginativos (Foto: Arquivo/Cia ContaCausos)

Intimista, ‘Visagem’ reúne causos de arrepiar a espinha e mergulha entre fatos reais e imaginativos (Foto: Arquivo/Cia ContaCausos)

Contadora de histórias há mais de 10 anos, Josiane Geroldi, idealizadora da Cia, confessa que cada vez mais tem identificado que as histórias são, de fato, universais. Para ela, mesmo quando o narrador utiliza expressões regionais ou lembram de causos específicos de uma localidade, “o imaginário social e as experiências humanas são muito comuns, e isso acaba tornando a história uma linguagem universalizada”, afirma.

E são justamente essas expressões corriqueiras e coloquiais da região Oeste que acentuam as narrativas do espetáculo “Visagem” – originalmente criado através de pesquisas e entrevistas com comunidades caboclas do interior de Chapecó e região. Nele são evocadas os relatos sobre aparições de sujeitos e figuras estranhas, além disso, os contos “convidam a plateia a construir mentalmente a cena narrada, contribuindo, assim, para a reafirmação da arte narrativa, do exercício de construção de imagens únicas no imaginário de cada espectador”, esclarece Josiane.

Contos de lá e de cá

A Cia sempre teve certa inclinação a essas comunidades, tanto pelo trabalho de pesquisa com os povos tradicionais quanto pela própria literatura oral. Tanto que a contadora decidiu criar um projeto paralelo ao levantamento de histórias chamado “Pé de Causos – Escuto e Conto Causos”. A iniciativa pretende instigar as pessoas a relatarem histórias do saber popular em locais abertos e públicos. E a partir disso, mapear as narrativas populares de cada localidade visitada.

Outro destaque desta circulação é o encontro entre Josiane e Sergio Bello, contador de histórias desde 1995. Cientista social, Sergio atuou como professor universitário e de ensino fundamental em disciplinas de História, Filosofia e Sociologia da Comunicação.


Programação:

27 de março – Sesc Araranguá/SC

Espetáculo “Esticando as Canelas”

Local: E.B.M João Matias – 10h30 e às 14h

 

28 de março – Sesc Tubarão/SC

Maratona de Contos – Espetáculo “Foi Coisa de Saci”

Consultar horários e locais com a unidade

Evento: goo.gl/K6Abvd

 

29 de março – Sesc  Criciúma/SC

Espetáculo “Foi Coisa de Saci”

Auditório Sesc às 20h

Evento: goo.gl/AbAU4w

 

30 de março  –  Sesc Criciúma/SC

Espetáculo “Visagem”

No teatro Municipal Elias Angeloni às 20h

Evento: goo.gl/OT9cYf

 

31 de março – Sesc Lages/SC

Espetáculo “Visagem”

Subsolo do Centro Cultural Vidal Ramos – Sesc às 22h

Evento: goo.gl/kVV5ns

 

01 de abril – Sesc Lages/SC

Sarau de 1º de Abril e espetáculo “Foi Coisa de Saci”

Centro Cultural Vidal Ramos – Sesc  às 18h30

Evento: goo.gl/RgC27

20 de março – Dia Internacional dos Contadores de Histórias
20 de março – Dia Internacional dos Contadores de Histórias

A palavra dita atravessa os tabiques do tempo e se lança pelas múltiplas vozes, universalizando a narrativa.

20 de março é o Dia Internacional do Contador de Histórias, dia de evocar a humanidade pela linguagem, dia de adorar o sagrado da ancestralidade que nos dá forma!

Esta é a homenagem da Cia ContaCausos aos narradores, contadores, oradores e aos “relatadores” dos causos da vida.

http://https://www.youtube.com/watch?v=j1MHWioF4Ps

Caça ao Saci resulta em três capturas!!!
Caça ao Saci resulta em três capturas!!!

Quem é que não lembra dos avós, pais ou vizinhos contadores de histórias? Ou das rodas noturnas, onde todos sentavam-se ao lado do orador, atentos aos nostálgicos causos de criaturas fabulosas e eventos que desafiavam a realidade? Pensando nisso, a Cia ContaCausos e o Sesc Chapecó realizaram três atividades especiais para ouvidores ávidos em fevereiro.

Há sete anos a ContaCausos desenvolve pesquisa de narrativas orais, mapeando contos, em especial da região Oeste de Santa Catarina. Resultado dessas pesquisas, os espetáculos contribuem com a permanência do folclore regional e da cultura popular. “As narrativas tradicionais trazem uma grande carga do que somos, cada um ao seu tempo, do seu modo, com o seu sentir e entendimento. Então, se você se permite atravessar a ponte conduzido pelos contadores, pode encontrar maravilhas do outro lado, no encontro com você mesmo”, comenta Josiane, contadora há mais de 10 anos.

Contos para todos os gostos

O “Café com Histórias” iniciou a programação de atividades na quinta-feira (09), às 20h, na Biblioteca do Sesc em Chapecó. Na sua quarta edição, o evento promoveu a contação de causos, convidando crianças, jovens e adultos a imergir na atmosfera lírica que as histórias proporcionam.

No sábado (11), foi a vez das histórias macabras. O espetáculo “Visagem” surgiu a partir de estudos e entrevistas que Josiane realizou com moradores do interior de cidades da região, evidenciando, sobretudo, a oralidade cabocla. A apresentação compila crenças e relatos de histórias sobrenaturais, percorrendo o real e o imaginário dos acontecimentos.

Para fechar a semana, domingo (12) teve redemoinhos e tranças em crina de cavalo. O espetáculo “Foi Coisa de Saci”, realizado ao ar livre, no Complexo do Verdão, percorre contos da oralidade brasileira sobre o menino de uma perna só e capuz vermelho. Preso numa garrafa e com a proteção de algumas peneiras, Josiane apresentou o danado ao público, lembrando as molecagens que ele prega no cotidiano. Depois da apresentação, crianças passaram a caçar Sacis entre as árvores do Complexo e o resultado não poderia ser outro: 3 danadinhos apanhados. Há quem ainda duvide da existência deles…

Dos encontros afetivos através das histórias!
Dos encontros afetivos através das histórias!

Dentre as viagens da Cia, uma região recorrente é o meio-oeste catarinense. Nos dias 17 e 18 de fevereiro, a contadora de histórias Josiane Geroldi esteve no Sesc Joaçaba para apresentar o espetáculo “Foi Coisa de Saci”, além de ministrar uma oficina de formação para contadores de histórias.

Um dos grandes propósitos da ContaCausos é dividir os saberes, as tradições, os modos de vida – como sempre fora feito com as histórias. E incentivar outras pessoas a perceber os causos que lhes pertencem, por meio das oficinas é possível reafirmar nossa identidade cultural, formar e sensibilizar novos contadores de histórias que reconheçam as nossas tradições populares.

Café com Histórias – Roda de Contadores de Histórias
Café com Histórias – Roda de Contadores de Histórias

“Na África os griots  são músicos, genealogistas, poetas e comunicadores sociais, mediadores da transmissão oral, bibliotecas vivas de todas as histórias, os saberes e fazeres da tradição, sábios da tradição oral que representam nações, famílias e grupos de um universo cultural fundado na oralidade, onde o livro não tem  papel social prioritário, e guardam as histórias e as ciências das comunidades, das regiões e do país.”

Eis que um velho Griot sentindo que sua hora havia chegado e estando à morte,  mandou chamar seus discípulos.

– Sempre fui o intermediário de vocês diante das grandes dificuldades, nos momentos de alegria,  festejos e agora… quando eu me for, vocês terão de fazer isso, sozinhos. E está tudo bem, porque vocês já sabem em que lugar da floresta devem se reunir, sabem exatamente como devem acender a fogueira e também sabem que histórias devem contar. Façam isso e Deus virá.

Depois que  morreu, a primeira geração obedeceu exatamente às suas instruções, diante de dificuldades, comemorações e agradecimentos, os homens iam até aquele lugar exato na floresta, acendiam a fogueira, contavam aquelas histórias e Deus sempre veio.

Na segunda geração, porém, as pessoas não se lembravam exatamente em que lugar da floresta deveriam ficar, mas se reuniram, acenderam a fogueira tal qual seus antepassados haviam lhes ensinado, contaram as histórias e Deus também veio.

Na terceira geração, as pessoas já não se lembravam em que local da floresta deveriam ficar e também tinham  vaga lembrança de como deveriam acender a fogueira, preferiram então não fazê-lo, mas encontraram-se na floresta, contaram as histórias e Deus veio.

Na quarta geração, a floresta era só um bosque, não importava o lugar onde deveriam estar, ninguém sabia onde sequer conseguir a lenha para acender a fogueira  e também não se lembravam das histórias que deveriam contar. Mas uma pessoa ainda se lembrava da história sobre tudo aquilo e a relatou em voz alta. E Deus ainda veio.

E até hoje, já não importa em que lugar, com ou sem fogueira, sempre que contamos uma história em voz alta. Deus Vem!

(reconto de O Dom da História de Clarissa Pinkola Estés)

Foi assim na quarta edição do Café com Histórias – Roda de Contadores de Histórias que acontece desde 2014 em Chapecó/SC. Uma parceria entre a Cia Contacausos, Sesc Chapecó e contadores de histórias convidados: Eva Lenita Trierveler, Marcelo Wundervand, Jonas Prado, Marineuse Bet, Jovani Santos.