Categoria: Ultimas Notícias – Contacausos

“Imagina Só” circula o Brasil com o projeto Arte da Palavra
“Imagina Só” circula o Brasil com o projeto Arte da Palavra

A próxima parada da Cia Contacausos é no Mato Grosso do Sul. Josiane Geroldi e Paulo Freire levam até os municípios de Campo Grande e Corumbá, nos dias 17 e 19 de julho, o espetáculo Imagina Só – causos, canções e ponteados de viola, que circula o Brasil através do projeto Arte da Palavra, realizado pelo Sesc nacional. O espetáculo já foi apresentado na Bahia e no total estão programadas 23 apresentações nos estados do Mato Grosso, Espírito Santo e Piauí.

O espetáculo de narração de causos e viola “Imagina Só” é um convite para fechar os olhos e se sentir no voo dos papagaios, desde as Veredas do Urucuia até as barrancas do Rio Uruguai. “Dona Jô e Nhô Paulo esperam o público sentados num terreiro de casa na roça. Desfiam um novelo de causos, um arremedando o outro. Contam sobre o baile dos capetas graduados, o primeiro saci que despencou na terra, as roupas desventindo as gentes na casa de dona Bastiana, como a família do Chico Santos virou o bando de passarinho Tangará, e mais um bocado de assunto. Os causos vem entremeados por canções e ponteados de viola”, sintetiza a cia ContaCausos.

Imagina Só nasceu em 2016 quando os dois artistas decidiram reunir os causos ouvidos ao longo dos anos encontrando poesia nas coisas simples e ouvindo relatos de gente do campo e da cidade. É uma livre narrativa das tradições orais brasileiras que teve sua estreia no Boca do Céu – Encontro Internacional de Contadores de Histórias, em São Paulo/SP, durante o espetáculo de abertura do Encontro no Auditório Oscar Niemayer no Ibirapuera.

Arte da Palavra

O Arte da Palavra é um circuito atuante em todas as regiões do país que estimula a formação de leitores e a divulgação de novos autores, além de valorizar obras e escritores brasileiros e as novas formas de produção e fruição literária. Com um circuito de autores e outro de apresentações que privilegiam a oralidade, pretende-se que diversas possibilidades de manifestações literárias sejam contempladas. Como ação de complemento formativo, é oferecido também um circuito voltado para a reflexão e criação literária. Em curadoria coletiva, realizada por especialistas do Sesc de todo o país, são selecionados os artistas que participam do projeto.

PROGRAMAÇÃO

Campo Grande – 17/07

Sesc Cultura (sala de audiovisual)

Av. Afonso Pena (entre as Ruas 13 de Maio e Rui Barbosa)

Centro, Campo Grande- MS

Horário: 19h

Valor: Gratuito

Corumbá – 19/07

Praça Céu

Jardim dos Estados, Corumbá- MS

Horário: 15h30

Valor: Gratuito

Corumbá – 19/07

Sesc Corumbá

Rua 13 de junho, 1703

Centro, Corumbá – MS

Horário: 19h30

Valor: Gratuito

MARACÁ: Cia apresenta novo espetáculo de contação de histórias
MARACÁ: Cia apresenta novo espetáculo de contação de histórias

 

Pela sexta vez, a Cia ContaCausos participou da Semana Literária Sesc Paraná, que neste ano chegou a sua 36ª edição. Um dos eventos mais importantes da área de literatura no Brasil, a Semana Literária foi realizada em 23 cidades paranaenses de forma simultânea.

Com o tema “Literatura e(m) Movimento: travessias do tempo e do espaço”, o evento contou com palestras, oficinas, lançamentos e encontros para refletir literatura e a maneira como ela transita no tempo e espaço. Promovida pelo Sesc em Toledo (PR), a Semana foi realizada entre os dias 18 e 23 de setembro. 

maraca - sesc 2 - Lysiane Baldo

Inclusive, a Semana Literária foi palco do mais recente espetáculo de contação da ContaCausos, chamado “Maracá”. O novo trabalho da Cia reúne histórias onde a cabaça (porongo) é o elemento central da narrativa. Ficou com curiosidade? Pois bem, “Maracá” refere-se ao instrumento musical, utilizado em muitas tribos indígenas para rituais e cerimônias tradicionais. Para a etnia Tupinambá, o maracá é muito simbólico. Dizem que quando o instrumento é tocado, a voz dos ancestrais pode ser reproduzida, tornando-o um elemento sagrado.

Muitos contos apresentam a cabaça como instrumento místico ou simbólico. Exemplo disso é o conto sobre o primeiro contador de histórias. Na narrativa de origem africana, o pássaro marabu anotava todas as histórias do mundo. Mas para torná-las memória e não perdê-las, o primeiro buscador de histórias as colocou numa cabaça, e ao beber as histórias da cabaça, ele resolveu o problema. Assim, poderia guardar as histórias em si e contá-las aos demais.

Encontros e histórias

Ao todo, Josiane Geroldi, idealizadora da ContaCausos, realizou 12 apresentações durante a Semana Literária em cinco cidades participantes. Como lembra a contadora, a literatura oral costuma trazer grandes cargas do que somos e de como somos. E isso, segundo ela, depende do tempo, do modo e do sentimento de quem ouve. Ou seja, “as narrativas atuam como pontes construídas pela figura do contador. Nós conduzimos quem ouve, mas é o ouvinte quem faz sua busca pelo o que é narrado”.

Narrar sobre porongos é um tanto quanto poético. Isso porque, o elemento parece ser o recipiente que gera a reunião, através da cuia, do “pote” que alimenta, do berimbau nas rodas de dança, do lugar onde se guarda histórias… Além disso, é rodeado de misticismo e crenças em muitas culturas e etnias por todo o mundo. Se quiser saber mais sobre o espetáculo Maracá, entre em contato conosco! E nos acompanhe pelas redes sociais.

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Fotos: Lysiane Baldo/Facebook

As origens do culto de Cosme e Damião
As origens do culto de Cosme e Damião

Júlio Cesar Tavares Dias

“Aqui queremos lembrar Dois Dois a biografia Pouco vamos encontrar Porque pouco se escrevia O que pude pesquisar Só resolvi publicar Porque muitos me pediam” Frei Urbano de Souza (1991, p. 7)

Resumo

Cosme e Damião são santos católicos que foram médicos. Eles teriam exercido a medicina sem nunca cobrar nada, por isso são chamados de “anargiros”, ou seja, que não são comprados por dinheiro. São mártires, mortos por não se curvarem diante dos deuses pagãos, tendo sido acusados de “inimigos dos deuses”. A devoção a Cosme e Damião é antiga no Brasil. Já em 1535 foi construída a primeira igreja em homenagem aos gêmeos na cidade de Igarassu, Pernambuco, após os portugueses terem vencido os índios caetés. Nossa comunicação objetiva investigar as origens desse culto e historiar a chegada da devoção ao Brasil com a construção da igreja dos gêmeos em Igarassu.

Primeiras palavras 

Nós compartilhamos o sentimento de Frei Urbano de Souza expresso nos seus versos de cordel que vêm à epígrafe deste artigo. No Brasil existe a prática de distribuir balas e doces como pagamento de promessas aos Santos Cosme e Damião, padroeiros das crianças. Em 2010, quando resolvemos escrever sobre este tema (Dias, 2010), frisávamos que o modo de distribuir o doce de Cosme e Damião vem sofrendo mudanças devido à recusa dos evangélicos em receber o doce. Mas, além do fato de que Cosme e Damião foram sincretizados no Brasil com os Ibeji e que os evangélicos rejeitavam o doce justamente por conta desse sincretismo, praticamente nada sabíamos sobre essa devoção e suas origens. Pesquisar as origens do culto desses santos é encarado por nós, então, como um desafio.

Celeno de Figueiredo (1953, p. 5), na introdução de sua obra, afirma que escrever sobre os santos gêmeos é um desejo da mocidade, não realizado há mais tempo, “em virtude da inegável escassez de literatura”. Acreditamos que, ainda hoje, embora passadas décadas desde o seu trabalho, há escassa biografia sobre esse tema em relação à força que essa devoção continua demonstrando no Brasil.

A sabedoria dos contos de fadas
A sabedoria dos contos de fadas

Armindo Teixeira Mesquita

UTAD (Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Portugal) e Presidente do OBLIJ (Observatório da Literatura Infanto-Juvenil)

 

Sempre que se conta um conto de fadas, a noite vem. Não importa o lugar, não importa a hora, não importa a estação do ano, o fato de uma história estar sendo contada faz com que um céu estrelado e uma lua branca entrem sorrateiros pelo beiral e fiquem pairando acima da cabeça dos ouvintes.

Clarissa Pinkola Estes

 

Introdução

A arte de contar histórias é remota. Encontramo-la em todas as partes do mundo. Aliás, nos velhos tempos, as pessoas do povo sentavam-se, sobretudo aos serões, à volta da fogueira para descansar do árduo trabalho diário, para conversar e para contar histórias.

Sabe-se como é importante para a formação da personalidade da criança ouvir muitas e belas histórias. Pois, escutar histórias é uma das primeiras experiências literárias do ser humano. Quando a criança escuta um conto, a sua mente está a produzir outro. Isto vem reforçar a ideia de que, por um lado, a narrativa oral opera como um veículo de emoções e, por outro lado, inicia a criança na palavra, no ritmo, nos símbolos, na memória, desperta a sensibilidade, conduzindo à imaginação através da linguagem global. Neste sentido, a literatura apresenta-se como meio de manifestação de cultura.

Durante séculos, a aprendizagem fazia-se através da transmissão oral, porque não havia livros, nem a infância era concebida como hoje. Os valores, os costumes e as regras sociais eram transmitidos, graças aos mitos, aos contos e a outras formas de comunicação oral.

Com o aparecimento da imprensa, em meados do século XV, criou-se um novo mundo simbólico e uma nova tradição: a leitura, já que os jornais e os livros tornaram-se os grandes agentes culturais dos povos. As fogueiras foram ficando para trás. Os velhos contadores de histórias foram sendo esquecidos. No entanto, as histórias continuam associadas à nossa cultura, através dos livros e das suaves vozes das mães e das avós, para encantamento das crianças.

O conto de fadas (literário) surgiu na Europa da Idade Moderna como tradição oral levada ao público infantil. As histórias eram contadas de um adulto para uma criança, registrando lições, experiências, em que geralmente os heróis superavam situações desfavoráveis através de algum segredo mágico. Por se tratar de narrações fictícias, as ações dos contos de fadas desenrolam-se em países imaginários, povoados por objetos e personagens mágicos e estranhos, onde o narrador e o seu público não acreditam na realidade da história.

A grande aceitação do conto de fadas teve, pelo menos, duas consequências importantes sobre a evolução da literatura infantil. Em primeiro lugar, impôs o predomínio do lúdico sobre o instrutivo. Em segundo, contribuiu para a definição de um género especificamente voltado para as crianças.

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Ilustração: Warwick Goble (1923)

MÊS DO DESGOSTO: Por que agosto tem essa fama?
MÊS DO DESGOSTO: Por que agosto tem essa fama?

 

Você já deve ter ouvido falar no “Mês do Desgosto”, não é? Tadinho de Agosto, entre tantos meses, justo ele levou o fardo. Mas, afinal, por qual motivo dizem isso? Na cultura popular, existem muitas explicações. Fulano diz que é isso, Ciclano diz que é aquilo… Separamos algumas da razões para entender melhor essa história.

No século I (d.C), os antigos romanos acreditavam que neste mês um enorme dragão cuspindo fogo aparecia nos céus noturnos. O fato é que eles associavam o tal bichano com a constelação de Leão, que costuma ficar mais visível nesse período do ano.

Mas o popular “agosto, mês do desgosto” surgiu em Portugal. Acontece que as caravelas partiam para o Novo Mundo, em geral, na metade do ano. Então, quem se casava nesses meses acabava nem fazendo a lua-de-mel. Além disso, muitas noivas corriam o risco de ficar viúvas, já que muitas embarcações voltavam com número menor de navegadores ou sofriam acidentes no percurso. Por essa superstição, até hoje, muitos casais evitam trocar alianças em agosto.

No nosso caso, a colonização portuguesa acabou trazendo a cuja tradição que foi se adaptando às culturas e crendices regionais. Há quem diga, inclusive, que agosto é o mês do “cachorro louco”. E o ditado é tão forte, que muitas pessoas se preocupam em andar por aí, com medo de levar uma mordida dos pobres cãezinhos e pegar raiva. Na verdade, existe uma explicação: supostamente, nesse período do ano, muitas fêmeas entram no cio e os machos ficam “atiçados”, a ponto de enlouquecer… De qualquer forma, o bom mesmo é evitar dar de cara com um cachorro na rua.

É melhor não abusar!

A zica é tanta nesse mês que a tradição na Argentina, por exemplo, é não lavar a cabeça no oitavo mês do ano. Dizem que quem molha a “moleira” em agosto está chamando a morte. Cruz credo!

Crença popular, misticismo, superstição… Podem dar o nome que quiser, agosto é bonito do jeito que é. Antecipa a Primavera, minha gente! É iluminado, faz o mato brotar, não é tão frio, nem tão quente.

Diz o dicionário que superstição é “sentimento religioso baseado no temor ou na ignorância, e que induz ao conhecimento de falsos deveres”. Mas a gente duvida um bocado disso, porque na incerteza do que é verdade ou invenção é melhor não fechar negócio, não mudar de casa, não trocar de emprego e nem viajar em agosto… Porque se o povo diz, acontece mesmo!

Deixe um comentário com a sua lembrança, história ou superstição de agosto!