Mês: junho 2017

Histórias Pra Contar: O Sal e o Rei
Histórias Pra Contar: O Sal e o Rei

Num reino nem tão distante, havia um velho rei que tinha três filhas muito belas. Certo dia, o rei perguntou a cada uma delas:
– Quanto você ama seu pai?

A mais velha foi a primeira a responder:
– Quero mais a meu pai do que a luz do Sol.

Em seguida, a irmã do meio respondeu:
– Gosto mais do meu pai do que de mim mesma.

A mais jovem foi a última a responder:
– Quero-lhe tanto como a comida quer o sal, meu pai!

O rei achou estranho aquela resposta. E entendeu que sua filha mais nova não lhe amava quanto as demais. Decidiu que ela deveria ir embora, que não poderia morar com eles, e expulsou a menina do palácio.

A jovem princesa ficou muito triste e nem pôde se despedir das irmãs. Andou por muitos caminhos e riachos, até chegar ao castelo de outro rei. Chegando lá, pediu um lugar para morar e em troca seria a cozinheira do palácio. O rei aceitou e assim ela continuou, cozinhando e morando novo castelo.

Num dia, chegou à mesa uma grande panela de guisado, muito bem feito. O serviu-se e quando levou a colher à boca quase engoliu um anel de ouro. Irritado, perguntou a todas as damas da corte de quem era aquele anel. Todas as mulheres tentaram colocar a joia no dedo, mas não servia em nenhuma delas. Chamaram a princesa cozinheira e nela o anel encaixou.

O príncipe se apaixonou pela jovem e notou que aquela joia só poderia ser de alguém da realeza. Imaginou que a moça era de família nobre. O príncipe passou a espiar a princesa, porque a jovem cozinhava somente às escondidas. Foi quando ele a viu vestida em trajes nobres e soube que ela era princesa. Chamou o rei, seu pai, para que ele também visse. O príncipe pediu a mão da jovem em casamento e o rei deu licença para os dois casarem. A princesa impôs uma condição: ela queria cozinhar o jantar da festa de noivado. O rei disse que tudo bem e assim aconteceu.

No dia do noivado, muitos rainhas e reis foram convidados. O pai da menina, que a expulsou de casa, e suas irmãs também foram à festa. Na hora do jantar, todos estavam servidos e comendo à mesa. Mas a princesa decidiu não colocar sal no prato de seu pai. Os convidados se esbanjavam com o banquete, mas somente o pai da princesa não comia. O pai do príncipe estranhou e pediu:
– Rei amigo, por que sua alteza não está comendo conosco?

O rei respondeu, sem saber que se tratava do casamento da filha:
– É porque a comida não tem sal, caro amigo.

O pai do noivo ficou furioso e pediu que a cozinheira viesse explicar por que o prato do Rei amigo não estava salgado.

Veio, então, a jovem princesa. Quando seu pai a viu, reconheceu a filha e logo confessou sua culpa, muito arrependido do que havia feito. Ele pediu desculpas por não ter percebido quanto era amado pela sua filha. Lembrou que a moça lhe tinha dito que lhe amava tanto como a comida quer o sal. E redimiu-se em frente de todos.

Ilustração: Helena Heleno

Versão adaptada do conto original escrito por Teófilo Braga (Contos Tradicionais do Povo Português, 1883), recorrente desde a colonização portuguesa.
História Pra Contar: Os Compadres Corcundas
História Pra Contar: Os Compadres Corcundas

Era uma vez, dois compadres corcundas, um Rico outro Pobre. O povo do lugar vivia zombando da corcunda do Pobre e não reparava no Rico. A situação do Pobre, que era caçador, andava meio mal.

Certo dia, sem conseguir caçar nada, já tardinha, sem querer voltar para casa, o Pobre resolveu dormir ali mesmo no mato.

Quando já ia pegando no sono ouviu uma cantiga ao longe, como se muita gente cantasse ao mesmo tempo.

Saiu andando e andando no rumo da cantiga que não parava. Depois de muito andar, chegou numa clareira iluminada pelo luar e viu uma roda de gente esquisita, vestida de diamantes que brilhavam com a lua. Velhos, rapazes, meninos, todos cantavam e dançavam de mãos dadas, o mesmo verso, sem mudar:

– “Segunda, Terça-feira, Vai, vem! Segunda, Terça-feira, Vai, vem!”

Tremendo de medo, escondeu-se numa moita e ficou assistindo aquela cantoria que era sempre a mesma durante horas e horas.

Depois ficou mais calmo e foi se animando. E como era metido a improvisador, entrou no meio da cantoria entoando:

– “Segunda, Terça-feira, Vai, vem! E Quarta e Quinta-feira, Meu, bem!”

Imediatamente todos ficaram em silêncio, e o povo espalhou-se à procura de quem havia falado. Pegaram o corcunda e o levaram para o meio da roda. Um velhão, então, perguntou com voz delicada:

– Foi você quem cantou o verso novo da cantiga?

– Sim, fui eu, Senhor!

– Quer vender o verso? – perguntou o Velhão.

– Olha, meu senhor, não a vendo. Melhor, dou-lhes de presente, porque gostei demais do baile animado.

O Velho achou graça e todo aquele povo esquisito riu também.

– Pois bem – disse o Velhão – uma mão lava a outra. Em troca do verso eu te tiro essa corcunda e esse povo te dá um Bisaco novo!

O Velho passou a mão nas costas do caçador Pobre e a corcunda , como numa mágica, sumiu. As pessoas lhe deram um Bisaco novo e disseram que ele deveria abrir somente quando o sol nascesse.

O Caçador meteu-se na estrada e foi embora. Assim que o sol nasceu abriu o bisaco e o encontrou cheio de pedras preciosas e moedas de ouro.

No outro dia comprou uma casa com todos os móveis, comprou uma roupa nova e foi à missa porque era domingo. Lá na igreja encontrou o compadre Rico, também corcunda. Ele quase caiu de costas, ficou muito surpreso com a mudança. Mais espantado ficou quando o compadre, antes pobre e agora rico, contou tudo que aconteceu ao compadre Rico.

Cheio de ganância, o Rico resolveu arranjar ainda mais dinheiro e livrar-se da corcunda nas costas.

Esperou uns dias e depois se meteu no meio do mato. Tanto fez que ouviu a cantoria e foi na direção da toada. Achou o povo esquisito dançando numa roda e cantando:

– “Segunda, Terça-feira, Vai, vem!

Quarta e quinta-feira, Meu, bem!”

O Rico não se conteve. Abriu o par de queixos e foi logo berrando:

– “Sexta, Sábado e Domingo, Também!”

Como antes, todos ficaram em silêncio. O povo esquisito voou para cima do homem atrevido e o levaram para o meio da roda onde estava o Velhão. Esse gritou, furioso:

– Quem mandou se meter onde não é chamado, seu corcunda besta? Você não sabe que gente encantada não quer saber de Sexta-Feira, dia em que morreu o filho do alto?!

O corcunda Rico olhou sem reação e nada disse. O Velhão continuou exclamando em voz alta:

– Gente encantada não quer saber de Sábado, o dia em que morreu o filho do pecado, e nem de Domingo, dia em que ressuscitou quem nunca morre! Não sabia disso? Pois fique sabendo! E para que não se esqueça da lição, leve a corcunda que deixaram aqui e suma-se da minha vista, senão acabo com seu couro!

O Velhão passou a mão no peito do corcunda Rico e deixou ali a corcunda do compadre Pobre. Depois, deram uma carreira no homem, que ele não sabe como chegou em casa.

E assim viveu o resto de sua vida: Rico, mas com duas corcundas, uma na frente e outra atrás. As corcundas tornaram-se seu fardo, para ele deixar de ser ambicioso.

ContaCausos e Sesc Chapecó promovem Oficina de Contação de Histórias
ContaCausos e Sesc Chapecó promovem Oficina de Contação de Histórias

 

Atividade acontecerá em dois encontros e procura sensibilizar e formar novos contadores

Quem não lembra das histórias contadas pelos avós, das rodas de fogueira ou ao redor do fogão a lenha? Mas quem continua contando tais histórias hoje? Voltado ao fomento das tradições, o trabalho da Cia ContaCausos com as oficinas de formação busca incentivar e sensibilizar novos contadores. Além disso, a proposta é provocar reflexões sobre a narrativa oral, sua relevância história, social e cultural.

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Pensando nisso, o Sesc em Chapecó, em parceria com a Cia, promove uma Oficina de Contação de Histórias. Serão dois encontros onde educadores, contadores, pesquisadores, artistas, produtores e público interessado na arte da narrativa poderão aumentar o repertório sobre os estudos da oralidade. Pois ao se pensar em contação de histórias, emerge desse espaço inúmeras possibilidades: desde pesquisa e repertório à expressão corporal.

Ou seja, além de prática, a oficina pretende problematizar, analisar e instigar aos elementos que envolvem a pesquisa acerca das narrativas. “Toda narrativa oral é resultado de representações e expressões populares, de criações sobre a realidade. E isso faz parte da nossa identidade, da cultura, das construções simbólicas. Ou seja, pensar nas histórias envolve pesquisar o que elas representam e como dialogam com outros elementos da cultura”, salienta Josiane Geroldi, idealizadora da ContaCausos e oficineira.

Como faço minha inscrição?

A oficina será dividida em dois encontros (sábados): no dia 8 de julho e 15 de julho. Em ambos os dias, a programação será das 8h às 12h e das 13h30 às 19h30, totalizando 20 horas de curso (com emissão de certificado). As inscrições podem ser feitas na Unidade do Sesc em Chapecó, na rua Brasília, 475 D, no bairro Jardim Itália, local onde o encontro será realizado. A oficina possui investimento de R$ 110,00 (para público em geral) e R$ 50,00 (para comerciários, com carteirinha do Sesc). As vagas são limitadas, então se antecipe e garanta logo sua vaga.

Texto e fotos: Assessoria de Imprensa

Casa da Mãe Joana e ContaCausos realizam o “Arraiá na Maloca”
Casa da Mãe Joana e ContaCausos realizam o “Arraiá na Maloca”

 

Olha a festa junina, minha gente! E é verdade! Aos juninos de plantão, que procuram por festas de São João tradicionais, bora separar a melhor roupa xadrez, o chapéu de palha e “picar a mula” pro interior. A Casa da Mãe Joana, produtora cultural independente, em parceria com a Cia ContaCausos, realiza o “Arraiá na Maloca”, no próximo sábado (17),

Tipicamente caipira, a festividade vai contar com arrasta pé, baião, forró, xote, samba de coco, quadrilha e outros tantos ritmos nordestinos. Portanto, engraxe seu melhor sapato pra dar aquela impressionada na comunidade. Ah, e você pode levar seu instrumento musical para participar do forrobodó até o dia raiar!

arraia na maloca

Comidaiáda e musicaria

Nosso Arraiá vai ter fogueira, pipoca, quadrilha, quentão, bandeirolas… Inté casório. Vai ser festança das grande! Na barraca da Casa da Mãe Joana vai ter cachaça artesanal, chope, caldo quente, quentão de vinho, água e refrigerante (porque ninguém é de ferro). Mas sugerimos que a comunidade leve pratos típicos (de docin a salgadin) para compartilharmos entre todos e darmos continuidade à tradição da festa junina! Pedimos, também, que levem seus copos e canecas (de 300ml e 500ml), para ajudarmos o meio-ambiente. O Ateliê Uva Passa & Duna estará presente, vendendo os lindos “produtin” artesanais.

Festa de São João sem música não é festa! E pra esgualepar o esqueleto, preparamos um bocado de gente boa para deixar o baile uma belezura. No aquecimento, vai ter discotecagem com Selecta Groove, apresentando sua pesquisa de música do Nordeste e  Norte, “dispôis” vai ter o sinhô Márcio Pazin e Banda e, mais tardar, a tradicional Jam Session da Casa da Mãe Joana, que já esquentou palcos do Brasil “interin”.

Ingressos

Adiante o passo e aproveite o primeiro lote de ingressos a R$ 20,00 (R$ 10,00 meia-entrada para estudantes com apresentação de carteira na entrada do evento). O segundo lote será a R$25,00 (R$ 12,50 meia-entrada para estudantes). Você pode comprar antecipadamente na Dubba Uba, no site da Sympla (on-line) ou direto com a produção (Whats – 9 9974-2634 / Joana). O Arraiá será na “Nossa Maloca”, espaço de cultura e ocupação da Cia ContaCausos, na Linha Tafona, interior de Chapecó. A festança é para todas as idades e crianças com até 12 anos não pagam ingresso.

Programação:

16h: Discotecagem Selecta Groove

20h: Show Márcio Pazin & Banda

22h: Jam Session

 

Foto: Walfrido Tomas

Histórias Pra Contar: O conto de Saduci (Saci)
Histórias Pra Contar: O conto de Saduci (Saci)

Praticamente todo mundo conhece ou já ouviu falar no Saci-Pererê. O personagem folclórico é um dos mais recorrentes quando falamos em contação de histórias. Mas você conhece o conto do príncipe Saduci que tornou-se o popular Saci? Ainda não? Pois aqui está a lenda…

O conto de Saduci

Contam por aí, que o Saduci era um belo príncipe conhecido por sua bravura e força. Ele vivia muito feliz em sua terra natal e zelava pelo seu povo. Mas um dia, os portugueses invadiram sua aldeia, o sequestram e levaram embora muitos moradores para se tornarem escravos…

Quer saber o que aconteceu com Saduci? Continue lendo o conto.

Ilustração: Luiz Mendes