Mês: junho 2016

CONTACAUSOS no Boca Do Céu – Encontro Internacional de Contadores de Histórias 2016
CONTACAUSOS no Boca Do Céu – Encontro Internacional de Contadores de Histórias 2016
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Regina Machado e crianças da Oca – Foto Pedro Napolitano Prata

“O Encontro Internacional Boca do Céu de Contadores de Histórias é um evento bienal  que promove um  espaço de reflexão, criação e ação cultural, focalizando a arte da palavra, que se move continuamente  através  da  História e da
s  diversas  culturas  humanas  na  forma  de  narrativas  orais.  A função principal desse Encontro é propiciar diferentes  situações de contato com a arte da narração que possam inspirar ações educativas, culturais, sociais e estéticas  ressaltando a  importância das narrativas no mundo de hoje.” ( fonte: Site Boca do Céu)

A curadoria é feita por Regina Machado – Contadora de estórias para adultos e crianças desde 1980. Mestre em Educational Theatre na New York University, com doutoramento na ECA-USP, em 1989. Professora Livre Docente do Departamento de Artes Plásticas da ECA-USP. Autora dos livros Acordais – Fundamentos Teórico-poéticos da Arte de Contar Histórias, pela Editora DCL, O Violino Cigano e Outros Contos de Mulheres Sábias, pela da Cia das Letras,  A Formiga Aurélia e Outros Jeitos de Ver o Mundo e Nasrudin, pela Cia das Letrinhas, e Cláudio Tozzi, da Série Mestres das Artes no Brasil, pela Editora Moderna. É a criadora e curadora do Encontro Internacional BOCA DO CÉU de Contadores de Histórias. pacodobaoba.blogspot.com.br

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Equipe de Produção!!!! Um grande time de pessoas apaixonadas e extremamente competentes!!! Pessoas “Milmaravilhosas”

A Contadora de Histórias Josiane Geroldi da Cia ContaCausos participou do Encontro nas edições de 2014 e 2016. Foram experiências incríveis de trocas com contadores de histórias do Brasil inteiro e de vários países. Em 2016 a contadora realizou apresentações na programação do Boca do Céu na Biblioteca Mário de Andrade, no Espetáculo de Abertura: Como é Grande o Autor da Natureza no Auditório Oscar Niemeyer no parque Ibirapuera, no Teatro do Itaú Cultural e nas Fábricas de Cultura das comunidades de Capão Redondo e Jardim São Luiz.

Confira a Programação completa, convidados nacionais e internacionais no link: bocadoceu.com.br/ultimas-noticias

Fotos: Pedro Napolitano Prata

Espetáculo de Abertura:  COMO É GRANDE O AUTOR DA NATUREZA –  Auditório Oscar Niemeyer Parque Ibirapuera – São Paulo.

“Peço a Deus/ Pelo bem/ De quem me ama/ E pelo bem/ De quem pode me odiar/ Pelo bem/ De quem me ajuda a sorrir/ e pelo bem/ De quem me ajuda a chorar/ Pelo bem/ De quem gosta de cantar/ Minhas toadas/ E quem/ Dá valor ao meu lugar” Humberto Barbosa Mendes

No domingo, na biblioteca Mário de Andrade rolou apresentação dos contos de adivinhação para famílias e crianças e uma conversa de contador:

Fotos: Pedro Napolitano Prata

Ainda pela programação do encontro,  o espetáculo Foi Coisa de Saci foi apresentado no Teatro do Itaú Cultural  no dia 19/05 às 10h e às 14h para público escolar.

Fotos: Pedro Napolitano Prata

 

Nas Fábricas de Cultura nas comunidades do Capão Redondo e Jardim São Luiz

fotos: Claudia Silva

Meu Aplicativo de Folclore – Ricardo Azevedo APP
Meu Aplicativo de Folclore – Ricardo Azevedo APP

Aqui vai uma dica que vale a pena conferir : Meu Aplicativo de Folclore, um almanaque de cultura popular do folclore brasileiro com textos e ilustrações de Ricardo Azevedo, um dos maiores autores da literatura infantojuvenil brasileira.

O aplicativo  é dividido em 6 partes: trava-línguas, ditados, adivinhas, parlendas, contos e bestiário. Tudo criado de uma maneira para as crianças aprenderem sobre o folclore brasileiro de uma maneira  divertida e alegre.

Em cada sessao a criança tem a habilidade de ouvir a narração apertando o botão “play”. Cada palavra narrada é destacada  para ajudar na leitura.

“Meu Aplicativo de Folclore” traz muitas músicas e brincadeiras interativas, além de outros recursos que nos fazem mergulhar na magia dos personagens e histórias de nosso folclore. Pode ser baixado na Apple Store e  no Google Play.

https://play.google.com/store/apps/details?id=air.Folclore&hl=pt_BR

História pra Contar: O Rei que não Sabia ser Feliz – Versão de Ricardo Azevedo
História pra Contar: O Rei que não Sabia ser Feliz – Versão de Ricardo Azevedo
Era um rei que não sabia ser feliz. Tinha os tesouros mais preciosos, as terras mais férteis e os exércitos mais poderosos. Morava num castelo prateado construído no alto de uma montanha. Mesmo assim, vivia triste, sombrio e amargurado.
Um belo dia, o tal monarca ouviu falar de um ferreiro muito pobre que morava num castelo com a mulher e um casal de filhos. O povo dizia que o sujeito, mesmo miserável e sem ter onde cair morto, vivia sempre risonho e animado. Anunciava e garantia para quem quisesse ouvir que era muito feliz. O rei não quis acreditar.
– Se eu que sou nobre, rico e poderoso vivo aflito, preocupado e cheio de problemas, como é que pode um zé-ninguém, um pé-rapado, um pobre coitado achar que pode ser feliz?
No fundo, o monarca sentiu uma mistura de raiva com dúvida e inveja. E logo teve uma idéia. Montou seu cavalo alazão, foi até a casa do ferreiro,mandou chamar o homem e disse:
– É verdade que você é feliz?
– Sim! – respondeu o ferreiro com os olhos cheios de luz.
– Ah é? – respondeu o rei. – Então, quero ver se você adivinha:
É, o que é:
tem no começo da rua
vive na ponta do ar
dobra no meio da terra
morre onde acaba o mar?

O rei explicou que voltaria no dia seguinte. Se o ferreiro não adivinhasse ia para a forca.
– E se eu adivinhar? – perguntou o ferreiro, assustado.
– Se adivinhar, fica tudo por isso mesmo!
Disse isso, deu risada, chicoteou o cavalo e partiu a galope.
Naquela noite, a filha do ferreiro sentiu que o pai estava muito preocupado. Conversa vai, conversa vem, o homem acabou desabafando e contando o que havia acontecido. Confessou que não sabia adivinhar. Achava que no dia seguinte ia morrer na forca. A filha do ferreiro deu risada.
– Mas é tão simples! Aquilo que tem no começo da rua, vive na ponta do ar, dobra no meio da terra e morre onde acaba o mar é a letra R!
No dia seguinte, o ferreiro respondeu a adivinha e deixou o rei admirado.
– Mas como você adivinhou?
– Não fui eu – respondeu o homem sorrindo. – Foi minha filha!
O rei não se conformou:
– Ah é? Então mata esta:

O que é, o que é:
agarra, coça e atira
escreve, pinta e inventa
aperta, aponta e dá soco
faz carinho e cumprimenta?

E repetiu o que havia dito da outra vez. Se o ferreiro adivinhasse, ficava tudo por isso mesmo. Se não adivinhasse, forca.
Naquela noite, a filha sentiu que o pai estava, de novo, muito aflito. Conversa vem, conversa vai, o homem acabou contando o que havia acontecido. Disse que não sabia adivinhar. Chorou. Achava que dessa vez ia mesmo morrer na forca. A filha do ferreiro deu risada.
– Mas é tão simples! Aquilo que agarra, coça e atira, escreve, pinta, inventa, aperta, aponta, dá soco, faz carinho e cumprimenta e a mão!
No dia seguinte, o ferreiro respondeu a adivinha e deixou o monarca com a cara no chão.,
– Mas como você adivinhou?
– Não fui eu – respondeu sorrindo. – Foi minha filha!
O rei foi embora pensando:
– Como será a filha do ferreiro?
Chegou no castelo e logo fez um plano. Mandou um criado à casa do ferreiro com um monte de perguntas. Queria dados, detalhes e informações a respeito da moça.
O criado foi. Bateu na porta. Quem atendeu foi a própria filha do ferreiro.
O criado perguntou:
– Cadê sua mãe?
E a moça:
– Foi ver quem nunca foi visto.
E o criado:
– Cadê seu pai?
E a moça:
– Foi mijar pra trás.
E o criado:
– Cadê seu irmão?
E a moça:
– Foi tomar água que passarinho não bebe.
O criado do rei não entendeu nada, despediu-se e foi embora. Quando contou as respostas da filha do ferreiro, o rei ficou admirado:
– Mas é claro como um copo d’água! Se a mãe dela foi ver que nunca foi visto é porque deve ser parteira e foi ajudar uma criança a nascer. Se o pia foi mijar pra trás é porque deve ter desistido de algum negócio.
Se o irmão foi tomar água que passarinho não bebe é porque deve estar bebendo cachaça com os amigos.
O rei era solteiro. Encantado com as respostas da moça, sentiu vontade de conhecê-la melhor. Deu ordens para irem buscá-la imediatamente.
Dito e feito.
Quando a filha do ferreiro em carne e osso, o tal monarca ficou mais encantado ainda. È que a moça era uma fruta preciosa de tão bonita e cheirosa.
O rei, então, pegou-a pelo braço e saiu mostrando os ares, belezas e lugares do castelo. Mas tarde, o casal sentou-se no jardim para trocar idéias e se conhecer melhor. Conversa vem conversa vai, o rei ficou apaixonado de vez. No fim daquele mesmo dia, pediu a mão da moça em casamento.
A filha do ferreiro aceitou e o jovem monarca foi logo mandando preparar a festa, avisar o padre e escrever os convites. Depois, chamou a moça e avisou:
– Decidi me casar com você amanhã mesmo! Como vai ser minha mulher, quero que você hoje volte para casa levando de presente a coisa mais valiosa que encontrar no castelo. Pode pegar o que quiser: pedras preciosas, anéis e colores de diamantes ou arcas cheias de moedas de ouro. De agora em diante, tudo o que é meu é seu!
A moça sorriu agradecida.
– Prometo escolher uma coisa bem valiosa – disse ela -, mas antes queria tomar um pouco de vinho tinto.
Explicou que era para brindar o casamento mas, quando o rei se distraiu, colocou sete gotas de remédio no cálice. Bastou um gole para o monarca ficar zonzo, meio grogue, fechar os olhos e cair desmaiado com um sorriso parado no rosto.
Mais que depressa, a filha do ferreiro chamou os criados, mandou colocar o noivo numa carruagem, disse adeus e levou-o embora .
No dia seguinte, quando o rei acordou, não entendeu nada vezes nada.
– Quem sou eu? Onde estou? O que houve? Como assim? – gritava ele entre zangado e assustado. E depois; – Socorro! Me acudam! Fui seqüestrado!
Gritou e esperneou mas, olhando melhor, reconheceu o lugar e descobriu que tinha passado a noite na casa do ferreiro.
Foi quando a moça entrou no quarto e explicou tudo;
– Você não disse que eu poderia trazer a coisa mais valiosa do castelo?
O monarca fez sim com a cabeça. E a filha do ferreiro;
– Pois bem. Pra mim, a coisa mais valiosa do castelo é você mesmo!
A ouvir aquelas palavras, o rei até inchou de tanta vaidade. Mas a alegria durou pouco. Fazendo cara feia, a moça continuou;
– Só caso com você se pedir desculpas a meu pai. Onde já se viu ameaçar de levar alguém pra forca só por causa de um capricho? Não quero saber de marido egoísta e invejoso que só sabe pensar em si mesmo e não liga pra mais ninguém! Quero me casar com um rei que tente melhorar, e não piorar, a vida de seu povo!
Pego de surpresa, o monarca deu o braço a torcer, vestiu a carapuça e reconheceu que tinha errado feio. Chamou o pai da noiva, ajoelhou-se arrependido e pediu perdão.
Dizem que o casamento do rei com a filha do ferreiro foi uma festança cheia de dança, comilança e esperança. Dizem também que só então aquele homem soube o que era ser feliz.

(extraído de Contos de Adivinhação, Ricardo Azevedo, Ed. Ática,2008)