Mês: março 2016

Baú de Histórias 2016 – Sesc Tijucas/SC
Baú de Histórias 2016 – Sesc Tijucas/SC

Todo mundo dando aquele confere pra ver o saci na garrafa.
– mas a garrafa tá vazia!!?
– Ora menino, veja, aperte os olhos, basta olhar pra ver!
– Ahhh entendi, ele não ta na garrafa, tá minha cabeça!
– pode ser! 😉

Iniciamos o circuito pelo projeto Baú de Histórias do Sesc Santa Catarina, no dia 29/03 no Sesc Tijucas/SC, as apresentações foram em Canelinha/SC, com direito a sessão extra do espetáculo  FOI COISA DE SACI pra contemplar todas as crianças que apareceram por lá!

História pra Contar: O VEADO E A BARATA –  Conto Popular
História pra Contar: O VEADO E A BARATA – Conto Popular

 

As baratas são uma das subinquilinas mais importunas e detestadas em nossas habitações. Por isso, muitas pessoas, aborrecidas com o aparecimento dessa “imundícia” em suas casas, lançam mão de todos os meios para livrar-se delas. A barata ocupa no folclore um lugar importante, sendo encontrada em modinhas, superstições benéficas e maléficas, jogos infantis, medicina popular, provérbios, adivinhações, etc. Mas nem todos apreciam sua companhia, empregando vários meios para “expulsá-las” das casas.

Em Barueri (SP), para expulsá-las, é preciso ficar de pé no meio da casa, de manhã cedinho, durante três sextas-feiras, e dizer o seguinte:

“Barata-rabi,
Que veio fazer aqui?
Brigou com compadre
e comadre,
E se puxa daqui!”

Havendo muitas baratas em casa, basta chamar uma delas pelo nome de “mulher de padre”, que sumirão todas (Bragança Paulista, 1957).

Outro processo: numa sexta-feira de manhã, sem conversar com ninguém, e em jejum, distribui-se um punhado de milho em três cantos da casa, dizendo: “Barata, vai embora!” Deixa-se livre um dos cantos para a barata poder sair (General Salgado, SP, 1958).

Pode-se ainda, encostado em um dos cantos da casa, dizer o seguinte:

A moça do padre
Lhe convida pra missa.
Vá com ela e seja feliz,
Igual quem come e não reza,
Ou quem trabalha no domingo.

Repete-se esta prática durante três sextas-feiras seguidas, sempre deixando livre o quarto canto. O mesmo deve ser feito para expulsar os percevejos da casa e as formigas da roça; neste último caso, a prática deve estender-se a três cantos da roça (Teófilo Otoni, MG, 1958).

Efeito semelhante se consegue quando, em uma sexta-feira, com um pano na mão, se diz: “Comadre barata, venha aqui, venha aqui!”, agitando-se o pano na direção da porta, como se estivesse afugentando a barata (Barueri, SP, 1959).

Muito usado é também o seguinte procedimento – dentro de uma caixa de fósforos colocam-se três baratas e joga-se a caixa, de costas, para o quintal do vizinho, se a este não nos liga alguma amizade. As baratas mudar-se-ão da nossa para a casa do vizinho (Barueri, SP, 1957).

Uma outra variante dessa prática foi-nos enviada pelo senhor Benedito A. Lua (Santana do Parnaíba, SP): para acabar com as baratas coloca-se uma delas em uma caixa de fósforos, juntamente com uma moeda de tostão (10 centavos) e joga-se a caixinha na primeira encruzilhada, não se olhando para trás. A pessoa que apanhar a caixinha “leva para sua casa todas as baratas, ficando o que fez a simpatia completamente livre desses bichinhos.”

Se nenhuma dessas estratégias der certo, utilize a estratégia desse veado:

 O VEADO E A BARATA – VERSÃO DE CONTO POPULAR

O veado fez sua casa. Aprontou-a, endireitou-a bem, botou os seus carreguinhos dentro, arrumou-os, fechou a porta e foi para o mato procurar a vida. Andou por lá, andou, até a noitinha. Quando voltou para casa, que foi metendo a chave na porta, ouviu aquela vozinha muito fina, cantando lá dentro:

‘Tui-tu, quinanã-ã,
Xô-xô, curió matou.’

Ficou espantado. Levantou a cabeça e disse:

– Ih! eu que  não entro em casa…

Tornando a ouvir a voz, tirou a chave mais que depressa e saiu correndo pela estrada afora, com o cotoquinho do rabo em pé, se foi voando pela estrada. Adiante, encontrou o boi:

– Boi, me acode!

– O que é, veado?

– Quando eu ia abrindo a porta da minha casa, tinha um bicho cantando lá dentro e eu não entrei, com medo de que ele me pegasse.

– Ora, seu medroso, vamos ver isso, disse o boi, eu chego lá, meto o chifre na porta e acabo com o tal bicho que está cantando dentro da tua casa.

Saiu o boi na frente e o veado atrás, desconfiado. Quando foram chegando na porta, que o veado foi metendo a chave na fechadura, o bicho cantou lá dentro.

‘Tui-tu, quinanã-ã,
Xô-xô, curió matou.’

Assim que o boi ouviu aquilo, disse:

– O quê, veado? Vou m’embora. Isso é o diabo.

E empurraram o pé no mundo, que iam em termo de se arrebentarem. Já muito longe, encontraram o bode, a quem o veado contou o que se estava passando. O bode disse que ia acabar com o bicho que estava metendo medo ao veado.

Foram os dois. Porém o bode, ouvindo o bicho cantar, abriu a guela, dizendo:

– Não, veado. O filho de meu pai não entra lá, não.

O mesmo aconteceu a muitos outros animais. Nenhum teve coragem de entrar na casa do veado. Afinal, estava o pobre do bicho de cabeça baixa, pensando como havia de ser para botar aquele importuno para fora de sua casa, quando viu um enorme carreiro de formigas de correição.

– Ai, formigas, disse o veado, me acudam, que eu não posso entrar na minha casa, porque, quando eu vou metendo a chave na porta, canta um bicho lá dentro, que me mete medo.

– Ora vamos ver essa história, – responderam as formigas.

O carreiro das formigas dirigiu-se para a casa do veado e ele no coice. Quando foi chegando na porta, que foi metendo a chave na fechadura, o bicho cantou lá dentro como das outras vezes. Disseram as formigas:

– Espere aí, veado.

Entraram por debaixo da porta e o veado ficou do lado de fora, arisco, com as orelhinhas em pé, pronto para se escapulir. As formigas correram a casa toda, e o bicho cantando, sem que elas o pudessem descobrir. Afinal, foram dar com uma baratinha lá num canto muito escuro, de asinhas arrebitadas, que estava se acabando de cantar. Agarraram-na e trouxeram-na pra fora:

– Tá aqui veado, quem te fazia medo!

Mataram a pobrezinha e levaram-na em pedacinhos para o formigueiro.

O veado entrou para a sua casa e foi dormir de papo para o ar.

Colorin colorado, este conto está acabado!

Fonte: Jangada Brasil

por Karol Lenko e Nelson Papavero

 

História pra Contar: Causo de Lobisomem
História pra Contar: Causo de Lobisomem

Esse Causo bão barbaridade quem nos contou foi o seu João Amará, morador de uma comunidade do interior de Chapecó/SC chamada Linha Almeida. Seu João é um contador de causo de primeira, só conta fato acontecido, verídico, experiência vivida e comprovada. Segundo o que ele nos contou, antigamente existia muito lobisomem. Acontece que as famílias eram maiores, o povo tinha muitos filhos e vez ou outra dava o azar de nascer 7 meninos encarreirados, o último rebento carregava o “fardo”, a maldição, só tinha um jeito de escapar, o filho mais velho tinha que batizar o mais novo nas águas santas, tinha que colocar o nome do caçula de Bento. E pronto, resolvia o problema. O transtorno vinha quando o povo esquecia do procedimento. A pessoa garrava o fardo e seguia assim até o fim da vida.

Senta que lá vem o causo, tal qual nos contou o seu João:

” Lobisome? Sim, Tinha. Uma vez tinha um meu compadre. Agora já é morto, compadre Pacífico.

E tinha uma noite lá que tinha uma cachorrada que não deixava a gente dormi e daí eu pensei: – vo pegar essa espingardinha de pressão e vo dá um susto nesses bicho. Mas eu sabia que se tivesse lobisome no meio não prestava matá, porque  diz que se matá vira na coisa mais feia do mundo, então eu ia atirá só pra assustá. Passei a mão naquela espoletinha bem pequenininha, bem fininha mesmo, daí trepei anssim numa área e fiquei esperando, esperando, espiando na beradinha da porta e de repente comecei a ouvir  aquela cachorrada e vi que eles vinham passando assim… e no meio daqueles cachorro  guaipeca  eu vi que tinha um cachorrão, grandão anssim, uns orelhão grande anssim, dai esperei quando ele passou eu atirei e com o estoro  aquele bicho saltô metro e se foi pro mato, só que de repente ficou tudo quieto. A cachorrada voltaram tudo pra traz e ficaram quieto. Dai eu pensei, será que eu matei? e dai me faltou coragem pra ir lá olhar. esperei o outro dia quando clareou e fui espiá, dai tinha só as pegada arrastada no chão. Fico por isso.

Dali três dias eu fui lá na casa de um vizinho, compadre meu pra tomá caldo de cana, e quando cheguei lá esse vivente tava lá, o Pacífico, e ele me olhou assim atravessado e  disse:”- ahhh você… eu tenho uma coisa pra você ali na minha sacola. E eu vi que tinha um facão assim guardado daí eu disse:  “- pra quê compadre?, sempre se demo tão bem! o que foi que eu te fiz?” dai ele mostrou, ergueu a calça anssim e mostro, era uma ferida na perna  – eu tenho essa ferida na perna que não sara. A perna dele tava anssim toda furada de chumbinho bem fininho.

Ele era lobisomem né? dai ele saiu dali e eu nunca mais vi. Mas isso aí aconteceu! eu dei um tiro no lobisomem.”

 Valeu seu João!!!! A sua experiência enriquece o nosso imaginário, já contamos o seu causo pras crianças da região e eles adoram ouvir os causos acontecidos na nossa terra. O senhor nos conta e a gente vai passando adiante. Gratidão!

Baú de Histórias 2016 – Projeto de circulação Sesc-SC
Baú de Histórias 2016 – Projeto de circulação Sesc-SC

O Baú de Histórias é um projeto que propõe a circulação de espetáculos de contação de histórias por todas as unidades do Sesc de Santa Catarina e cidades parceiras. A escolha desses espetáculos é pautada pela qualidade da encenação e fundamentalmente pela relevância literária da proposta. Dirigido a adultos e crianças, o Projeto Baú de Histórias é uma ação em prol do incentivo à leitura, valorização do contador de histórias como profissional reconhecido e a difusão da literatura de todas as procedências. (fonte: Site Sesc) todos os anos o Sesc de Santa Catarina recebe as propostas dos contadores de histórias e faz a seleção dos espetáculos para a circulação.

A Contacausos teve a honra de participar do projeto em 2011 com a circulação do espetáculo Esticando as Canelas, em 2013 com a circulação do espetáculo Nem te Conto, em 2014 com o espetáculo Tem Coroa, mas não é rei e em 2016 com o espetáculo Foi Coisa de Saci.  Circular por todas as regiões do Estado de Santa Catarina, em aproximadamente 30 municípios nos coloca bem perto da nossa gente, porque o Baú leva as apresentações de contação de histórias para escolas, auditórios, centros comunitários, teatros, comunidades rurais, feiras de livros e maratonas de contos.  Neste ano, vamos circular Santa Catarina com o espetáculo Foi Coisa de Saci. A primeira etapa da circulação acontece no mês de abril, quando passaremos por 16 cidades. Serão 20 dias de estrada, duas apresentações por dia e oficinas para contadores de histórias aos sábados.

Sinopse:

Saci é coisa que gente da cidade nega, diz que não tem, mas tem! “Acontece que ele é filho do mistério, filho do vento gira e assobia, filho do medo e da assombração”. Numa casa de caboclo, quando alguma coisa estranha acontece, as pessoas dizem que FOI COISA DE SACI! O espetáculo faz um passeio pelos causos da nossa gente brasileira que jura que viu, ouviu e até já prendeu o danadinho na garrafa.

Ficha Técnica:

Concepção e narração: Josiane Geroldi

Texto: Livre Adaptação e reconto das obras: UM SACI NO MEU QUINTAL de Monica Stahel; SACI-PERERÊ: Resultado de um Inquérito de Monteiro Lobato; O Saci da Bastiana Bruno de Maurício Pereira.

Figurino: Josiane Geroldi

Objetos de cena:Marcos Schuh

Fotografia: Valéria Felix

Duração: 30 min

Classificação: a partir de 07 anos

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O cronograma de apresentações e oficinas na primeira etapa do projeto:

29/03/16  –  Terça-feira – 02 Apresentações em Tijucas/SC

30/03/16  – Quarta-feira – 02 Apresentações em Balneário Camboriú/SC

31/03/16  – Quinta-feira – 02 Apresentações em Itajaí/SC

01/04/16  – Sexta-feira – 02 Apresentações em Joinville/SC

02/04/16 – Sábado  – Oficina em Joinville/SC

04/04/16  – Segunda-feira-  02 Apresentações em Jaraguá do Sul/SC

05/04/16  – Terça-feira – 02 Apresentações em São Bento do Sul/SC

06/04/16  – Quarta-feira – 02 Apresentações em Mafra/SC

07/04/16  – Quinta-feira –  02 Apresentações em Canoinhas/SC

08/04/16 – Sexta-feira – 02 Apresentações em Caçador/SC

09/04/16- Sábado – Oficina em Joaçaba/SC

11/04/16  – Segundo -feira- 02 Apresentações em Joaçaba/SC

12/04/16  – Terça-feira – 02 Apresentações em Capinzal/SC

13/04/16  – Quarta-feira- 02 Apresentações em Catanduvas/SC

14/04/16  – Quinta-feira- 02 Apresentações em Concórdia/SC

15/04/16  – Sexta-feira- 02 Apresentações em Xanxerê/SC

18/04/16  – Segunda-feira – 02 Apresentações em Chapecó/SC

19/04/16  – Terça- feira- 02 Apresentações em São Miguel do Oeste/SC

Roda de causos de saci e assombração no acampamento!
Roda de causos de saci e assombração no acampamento!

19/03 – Lá fui eu contar histórias no acampamento dos lobinhos do grupo de escoteiros Xapecó. E como todo bom acampamento rolou história de assombração, lobisomem e saci. difícil depois foi dormir na barraca, no escuro, no meio do mato com tanto barulho. Coruja, morcego, galho estralando, a lua brilhando. Ô noite comprida que não caba nunca. Valeu lobinhos!!!!!! Auuuuuuuuuu