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Histórias Pra Contar: O conto de Saduci (Saci)
Histórias Pra Contar: O conto de Saduci (Saci)

Praticamente todo mundo conhece ou já ouviu falar no Saci-Pererê. O personagem folclórico é um dos mais recorrentes quando falamos em contação de histórias. Mas você conhece o conto do príncipe Saduci que tornou-se o popular Saci? Ainda não? Pois aqui está a lenda…

O conto de Saduci

Contam por aí, que o Saduci era um belo príncipe conhecido por sua bravura e força. Ele vivia muito feliz em sua terra natal e zelava pelo seu povo. Mas um dia, os portugueses invadiram sua aldeia, o sequestram e levaram embora muitos moradores para se tornarem escravos…

Quer saber o que aconteceu com Saduci? Continue lendo o conto.

Ilustração: Luiz Mendes

Histórias pra Contar: Um encontro fantástico
Histórias pra Contar: Um encontro fantástico

Todos os anos eles se reuniam na floresta, à beira de um rio, para ver a quantas andava a sua fama. Eram criaturas fantásticas e cada uma vinha de um canto do Brasil. O Saci-Pererê chegou primeiro. Moleque pretinho, de uma perna só, barrete vermelho na cabeça, veio manquitolando, sentou-se numa pedra e acendeu seu cachimbo. Logo apontou no céu a Serpente Emplumada e aterrissou aos seus pés. Do meio das folhagens, saltou o Lobisomem, a cara toda peluda, os dentes afiados, enormes. Não tardou, o tropel de um cavalo anunciou o Negrinho do Pastoreio montado em pelo no seu baio.

– Só falta o Boto – disse o Saci, impaciente.

– Se tivesse alguma moça aqui, ele já teria chegado para seduzi-la – comentou a Serpente Emplumada.

– Também acho – concordou o Lobisomem. – Só que eu já a teria apavorado.

Ouviram nesse instante um rumor à margem do rio. Era o Boto saindo das águas na forma de um belo rapaz.

– Agora estamos todos – disse o Negrinho do Pastoreio.

– E então? – perguntou o Boto, saudando o grupo. – Como estão as coisas?

– Difíceis – respondeu o Saci e soltou uma baforada. – Não assustei muita gente nesta temporada.

– Eu também não – emendou a Serpente Emplumada. – Parece que as pessoas lá no Nordeste não têm mais tanto medo de mim.

– Lá no Norte se dá o mesmo – disse o Boto. – Em alguns locais, ainda atraio as mulheres, mas em outros elas nem ligam.

– Comigo acontece igual – disse o Negrinho do Pastoreio. – Vivo a achar coisas que as pessoas perdem no Sul. Mas não atendi muitos pedidos este ano.

– Seu caso é diferente – disse o Lobisomem. – Você não é assustador como eu, o Saci e a Serpente Emplumada. Você é um herói.

– Mas a dificuldade é a mesma – discordou o Negrinho do Pastoreio.

– Acho que é a concorrência – disse o Boto. – Andam aparecendo muitos heróis e vilões novos.

– Pois é – resmungou a Serpente Emplumada. – Até bruxas andam importando. Tem monstros demais por aí…

– São todos produzidos por homens de negócios – disse o Saci. – É moda. Vai passar…

– Espero – disse o Lobisomem. – Bons aqueles tempos em que eu reinava no país inteiro, não só no cerrado.

– A diferença é que somos autênticos – disse o Negrinho do Pastoreio. – Nós nascemos do povo.

– É verdade – disse o Boto. – Mas temos de refrescar a sua memória.

– Se pegarmos no pé de uns escritores, a coisa pode melhorar – disse a Serpente Emplumada.

– Eu conheço um – disse o Saci. – Vamos juntos atrás dele! – E foi o primeiro a se mandar, a mil por hora, em uma perna só.

 

Conto de João Anzanello Carrascoza

Fonte: Revista Nova Escola 

ContaCausos: Tubarão recebe “Foi Coisa de Saci” e noite do conto
ContaCausos: Tubarão recebe “Foi Coisa de Saci” e noite do conto

A Maratona de Contos em Tubarão renuiu públicos de diversas idades e em diferentes em ambientes para assistirem ao espetáculo “Foi Coisa de Saci”. Começou pela manhã, em visitação por duas escolas da cidade, à tarde a unidade do Sesc recebeu outras duas turmas e à noite houve o encontro de Josiane Geroldi com o contador de histórias Sergio Carneiro Bello (de Florianópolis).

Ambos os contadores apresentaram narrativas de seus repertórios e dialogaram com o público, na Biblioteca do Sesc, sobre as práticas da oralidade. Em conversa aberta, ressaltou-se essencialmente o fator simbólico das narrativas como arte do patrimônio imaterial da cultura popular.

 

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(Fotos: Assessoria de Imprensa/Taulan Cesco)

História pra Contar: A velha e o Saci
História pra Contar: A velha e o Saci

Era uma vez uma velha de mais de 70 anos de idade, que costumava fumar três cachimbadas toda a noite.

O último cachimbo ela deixava cheio, em cima do fogão, para fumar mais tarde.

Mas aconteceu que o tal cachimbo aparecia só com um pouquinho de fumo. Alguma tentação estava se associando, de certo, no cachimbo da velha.

Uma noite, a velha ficou sentada. Veio o danadinho, olhou pelo buraco da chave, entrou, sentou no fogão e acendeu o cachimbo, fumando à vontade.

Ah! é o saci! — disse a velha consigo. Amanhã ele me paga.

Quando foi na outra noite, ela pôs pólvora no cachimbo e só em cima da pólvora um pouco de fumo.

O saci veio. Acendeu o cachimbo e começou a fumar. De repente: poque! foi aquele estrupício. O saci levou um susto, saiu pulando, errou a porta, homem! passou mal o talzinho para se escapar.

E nunca mais voltou a “tentar” a velha.

Contou Elze Rodrigues de Lima. Rodeio, Itapetininga.

 

(Recolhido pelo cônego Luís Castanho de Almeida, em 1958)

(Em Soares, Doralécio. “Contos populares”. O Estado. Florianópolis, 15 de junho de 1969)
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