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Tag: Mulheres que correm com lobos

ContaCausos apresenta Puravida no ‘Ensaio Aberto’, nesta sexta-feira
ContaCausos apresenta Puravida no ‘Ensaio Aberto’, nesta sexta-feira

 

Foi através da leitura, e inspirada por histórias e contos sobre feminilidade e sabedorias femininas, que a atriz e contadora de histórias Josiane Geroldi, criou um novo espetáculo de narrativas da Cia ContaCausos: o Puravida. A ideia surgiu após um convite para uma sessão de contos em uma exposição sobre a violência contra a mulher, realizada pelo Gapa, no início do ano. Há alguns anos, Josiane vinha fazendo leituras sobre acerca da sabedoria e ancestralidade femininas. Acabou que “uma coisa levou à outra” e ela decidiu, então, pela montagem do espetáculo.

“Eu sinto a necessidade de fazer com que as pessoas também se encontrem através das histórias, assim como eu tenho o feito”

Esta será a segunda vez que a contadora apresenta “Puravida”, ainda em processo de concepção e pesquisa. A intenção do “Ensaio Aberto”, promovido pelo Sesc, é possibilitar aos artistas oportunidades de explorar novas propostas cênicas, musicais e visuais, como forma de experimentação do trabalho criativo. O espetáculo será apresentado na sexta-feira (14), às 19h30, no Teatro do Sesc, em Chapecó.

02 Puravida - Angélica Lüersen

“As histórias apresentadas me tocam de forma muito profunda, muito singular. E eu senti a necessidade de fazer com que as pessoas também se encontrassem através dessas narrativas, assim como eu tenho o feito”, revela Josiane, idealizadora da ContaCausos. Isso porque, ela tem vivido um processo de entendimento como contadora de histórias e mulher, de procurar quem ela é o que quer dizer enquanto artista.

Velha, Bruxa, Sábia…

São várias as narrativas que compõem “Puravida”, todas sobre mulheres empoderadas, estabelecendo a figura feminina como protagonista da ação, onde ela resolve situações de sua comunidade e é detentora de conhecimentos. Ou seja, distanciando a mulher do papel fantasiado em que ela espera pelo príncipe. Além do trabalho de pesquisa, este condensa experiências pessoais, como lembra a atriz. “Eu senti a necessidade de fazer com que as pessoas também se encontrem através das histórias, assim como eu tenho o feito”.

O Teatro do Sesc fica na rua Brasília, 475D, no bairro Jardim Itália. A classificação do espetáculo é de 10 anos e os ingressos (limitados – 40 lugares) serão distribuídos meia hora antes do evento, com entrada franca.

 

Fotos: Angélica Lüersen

“Mulheres que Correm com Lobos” e a “Ciranda das Mulheres Sábias”
“Mulheres que Correm com Lobos” e a “Ciranda das Mulheres Sábias”

Compartilhamos duas obras de leitura fundamental para todas as mulheres  e especialmente para as contadoras de histórias.mulheres que correm com os lobos 2

MULHERES QUE CORREM COM LOBOS

Mitos e Histórias do Arquétipo da mulher selvagem
Clarissa Pinkola Estés
tradução – Waldéa Barcellos
psicologia
Editora Rocco, Rio de Janeiro/1994.
628 páginas

“As modernas contadoras de histórias descendem de uma comunidade imensa e antiqüíssima composta de santos, trovadores, bardos, griots, cantadoras, chantres, menestréis, vagabundos, megeras e loucos. Uma vez sonhei que estava contando histórias e sentia alguém dando tapinhas no meu pé para me incentivar. Olhei para baixo e vi que estava em pé nos ombros de uma velha que segurava meus tornozelos e sorria para mim. “Não, não” disse-lhe eu. “Venha subir nos meus ombros, já que a senhora é velha e eu sou nova.” “Nada disso” insistiu ela. “É assim que deve ser. Percebi que ela também estava em pé nos ombros de uma mulher ainda mais velha do que ela, que estava nos ombros de uma mulher usando manto, que estava nos ombros de outra criatura, que estava nos ombros… Acreditei no que disse a velha do sonho a respeito de como as coisas devem ser. A energia para contar histórias vem daquelas que já se foram. Contar ou ouvir histórias deriva sua energia de uma altíssima coluna de seres humanos interligados através do tempo e do espaço, sofisticadamente trajados com
farrapos, mantos ou com a nudez da sua época, e repletos a ponto de transbordarem de vida ainda sendo vivida. Se existe uma única fonte das histórias e um espírito das histórias, ela está nessa longa corrente de seres humanos. As histórias são muito mais antigas do que a arte e a psicologia, e serão sempre as mais velhas nessa comparação, não importa quanto tempo passe. Um dos estilos mais antigos de relato que muito me intriga é o estado de transe apaixonado, no qual a contadora “pressente” a platéia — seja ela composta de um indivíduo ou de muitos — e entra num universo entre os universos, no qual uma história é “atraída” para a contadora em transe e transmitida através dela. É a contadora de histórias propiciando o fazer-se da alma.”

CIRANDA DAS MULHERES SÁBIAS

Editora: Rocco
Autor: Clarissa Pinkola Estés
Páginas: 128
Ano: 2007

Em ‘A ciranda das mulheres sábias’, a psicanalista e poetisa Clarissa Pinkola Estés reverencia a maturidade feminina xe faz uma comovente e profunda homenagem àquelas mulheres que souberam acumular sabedoria ao longo de suas existências. O livro tem uma linguagem metafórica, que se assemelha às antigas histórias contadas de mães para filhas, e chega às livrarias na última semana de maio. Clarissa Pinkola Estés parte de um doce convite à leitora para que se acomode ao seu lado e deguste com ela a bebida que foi reservada para ‘uma situação especial’, a fim de que possam conversar sobre ‘assuntos que importam de verdade’ a duas mulheres, com a garantia de que ‘aqui sua alma está em segurança’. Seduzida por uma linguagem terna, emocionante e poderosa, a autora apresenta os encantos deste ‘arquétipo misterioso e irresistível da mulher sábia, do qual a avó é uma representação simbólica’ e que ‘não chega de repente, perfeitamente formado e se amolda como uma capa sobre os ombros de uma mulher de determinada idade’. O aspecto mais sedutor do livro reside, justamente, na representação simbólica contida nas avós. Das matriarcas da mitologia às avós dos contos de fadas, passando por aquelas anônimas de suas vivências profissionais, a autora chega às avós de suas tradições familiares, descrevendo de forma magnífica a chegada à América das ancestrais que passaram a fazer parte de sua vida familiar, aquelas ‘quatro velhas refugiadas que saltaram de enormes trens pretos para o nevoeiro noturno na plataforma onde nós as aguardávamos com grande expectativa’. Ao final, as nove preces de gratidão – por todas as idosas do mundo, pelas mulheres mais velhas matreiras, pelas avós nas cozinhas, pelas tias perspicazes, pelas filhas que estão aprendendo, por todas as filhas e velhas – representam um perfeito arremate ao prazer da leitura destas páginas plenas de luz, melodia, emoção e encantamento.

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