Twitter response:

Tag: lendas brasileiras

#Popularium: Os filhos do Boto
#Popularium: Os filhos do Boto

 

Quase todo mundo conhece alguma lenda, conto popular, histórias de assombração, causo que vira e mexe acontece… Mas você já se perguntou de onde ou como essas tradições orais surgiram?

O portal Mundo Freak decidiu investigar algumas histórias de tradição oral e criou a série de podcasts “Popularium”. A intenção é explorar os mitos, lendas e folclores de modo a entender suas origens e como dialogam com a sociedade.

Em parceria com o portal, compartilhamos no site Cia ContaCausos os podcasts (que podem ser baixados). Desta vez, a lenda investigada é “Os filhos do Boto”. Costuma-se dizer que os filhos de “pais desconhecidos” são crianças do Boto, que se transforma em um galã vestido de branco, com um grande chapéu que esconde suas narinas e seduz as mulheres.

OUÇA O PODCASTPopularium 01: Os filhos do Boto

DOWNLOAD Popularium 01: Os filhos do Boto

Conheça mais

O portal Mundo Freak surgiu em agosto de 2012, fundado pelo escritor Andrei Fernandes, pela gerente de mídias sociais Ira Morato e pelo professor de história Rafael Jacaúna. A intenção do portal é criar e compartilhar conteúdos sobre cultura popular.

Os episódios de “Popularium” são produzidos através da pesquisa e compilação realizadas por Andrei Fernandes e Andriolli Costa (criador do O colecionador de Sacis).

 

* Conteúdo originalmente publicado no portal Mundo Freak

#Popularium: A lenda da Mulher do Padre (Mula sem Cabeça)
#Popularium: A lenda da Mulher do Padre (Mula sem Cabeça)

 

Quase todo mundo conhece alguma lenda, conto popular, histórias de assombração, causo que vira e mexe acontece… Mas você já se perguntou de onde ou como essas tradições orais surgiram?

O portal Mundo Freak decidiu investigar algumas histórias e criou a série de podcasts “Popularium”. A intenção é explorar os mitos, lendas e folclores de modo a entender suas origens e como dialogam com a sociedade. Em parceria com o portal, compartilhamos no site Cia ContaCausos os podcasts (que podem ser baixados). No primeiro episódio, a lenda investigada é a “Mulher do Padre”. Desconhece esse nome? Talvez porque ela também seja chamada de Mula Sem Cabeça.

OUÇA O PODCASTPopularium 00: Mulher do Padre

DOWNLOAD Popularium 00: Mulher do Padre

 

Conheça mais

O portal Mundo Freak surgiu em agosto de 2012, fundado pelo escritor Andrei Fernandes, pela gerente de mídias sociais Ira Morato e pelo professor de história Rafael Jacaúna. A intenção do portal é criar e compartilhar conteúdos sobre cultura popular, entretenimento, mistérios e conteúdo freak

Os episódios de “Popularium” são produzidos através da pesquisa e compilação realizadas por Andrei Fernandes e Andriolli Costa (criador do Colecionador de Sacis).

 

* Conteúdo originalmente publicado no portal Mundo Freak

Cia ContaCausos lança o projeto “Embornal dos Saberes”
Cia ContaCausos lança o projeto “Embornal dos Saberes”

Finalidade da proposta é agrupar e divulgar artigos acadêmicos e não-acadêmicos sobre narrativa oral

Sabe aquela pesquisa científica sobre narrativa oral que você produziu há alguns meses ou anos? Ou aquele artigo que analisa aspectos da contação histórias? Pois bem, você pode contribuir conosco. Hoje, a Cia ContaCausos lança um novo projeto, o “Embornal dos Saberes”.

A intenção da iniciativa é reunir documentos, pesquisas, artigos e conteúdos resultados de estudos sobre narrativas orais. Desse modo, fortalecemos cada vez mais as investigações voltados à contação e narração de histórias e oportunizamos que outros pesquisadores tenham acesso aos conhecimentos gerados dentro e fora da academia. A proposta ainda é um protótipo, mas aos poucos receberá os aperfeiçoamentos necessários.

O processo é simples. Primeiro, você preenche o formulário de submissão, depois, imprime e assina o Termo de Cessão (para autorizar a publicação no site) e, por fim, encaminha ao e-mail indicado seu artigo, pesquisa ou conteúdo com o Termo de Cessão (escaneado ou assinado digitalmente). Não há prazo final para envio de trabalhos, ou seja, a convocatória está aberta de forma permanente, nem limite de envios ou critério de ineditismo e ano de publicação original do conteúdo. 

Projeto – Embornal dos Saberes

Tradicionalmente, “embornal” era a sacola confeccionada com tecidos grossos (lona, brim ou mescla), utilizada a tiracolo por tropeiros e viajantes que carregavam na bolsa alimentos, utensílios e objetos necessários às longas jornadas.

Apropriamo-nos no termo para criar o “Embornal dos Saberes”, um repositório no site da Cia ContaCausos com a intenção de divulgar e reunir pesquisas, artigos acadêmicos e não-acadêmicos, resultados de estudos sobre:

– cultura popular brasileira e tradições;

– narrativa oral;

– contação de causos, contos, lendas, dizeres e histórias;

– sabedoria popular;

– literatura;

– antropologia, patrimônio imaterial, modos de vida;

– e temas que se alinham aos objetivos da Cia ContaCausos, que são: pesquisar, registrar e difundir a arte da narrativa oral.

Ou seja, assim como o embornal era essencial aos tropeiros, os conhecimentos reunidos são primordiais a nós, o que justifica a referência. A Cia sempre inclinou-se à pesquisa e divulgação das tradições populares ligadas às narrativas orais. A partir de agora, vamos ampliar esse trabalho e oportunizar aos demais pesquisadores a publicação de seus trabalhos para, assim, divulgá-los a outros pesquisadores e comunidade interessada. Por isso, abrimos convocatória permanente para envio de qualquer pesquisa, conteúdo e resultado de estudos sobre os temas indicados acima, para enchermos juntos esse embornal.

 

PASSO 1

Preencher Formulário de Submissão – https://goo.gl/BjXcH2

PASSO 2 

Imprimir e preencher o Termo de Cessão

Versão em PDF – https://goo.gl/iKktX1 

Versão em Word – https://goo.gl/JcezPF

PASSO 3

Enviar conteúdo e Termo de Cessão por e-mail

acervo.contacausos@gmail.com

História pra Contar: COBRA QUE MAMA
História pra Contar: COBRA QUE MAMA

O causo — verdadeiro… — deu-se no 5º Distrito de São Jerônimo naqueles velhos tempos — as Minas do Arroio dos Ratos no Rio Grande do Sul.

Tio João, açoriano por parte de pai e mãe, louro, de olhos azuis, parecia um alemão. Mas não era. Português puro. Das Ilhas. Casou com uma ruivinha de origem alemã, dona Olga, trabalhadeira e buenacha como só ela. Depois de um ano de casados, nasceu o primeiro filho — o Joãozinho, lindo e gorducho que até parecia um anjo do céu de tão mimoso! E vivo como quê.

Pois essa criança quase que se foi, junto com a mãe, semanas depois de nascido, por causa da tal cobra.

Tio João morava numa casa de santa fé, legítima casa de gaúcho, paredes de torrão, quando nasceu o piá, e isto porque estava esperando que lhe aprontassem a casa que mandara construir pelo “dr.” Pedreira, velhote curioso que enriquecera levantando casas pros moradores em terrenos da companhia das Minas de carvão…

Cinco dias depois de nascido, o guri acordou, de madrugada, chorando que dava pena. A mãe, que acordara sem leite, não sabia porque a criança chorava daquele modo. Chamaram o doutor. Veio, examinou e nada encontrou na criança. Tudo bem. Durante o dia mamava, dormia e ficava sossegada. Mas de noite, era aquele berbezum. Acordava de madrugada chorando que era um desespero.

E o tempo foi passando, sempre no mesmo. Fizeram tudo, até benzedura. Nada adiantou. E a criança ia emagrecendo dia a dia, e a mãe também.

No fim de seis semanas a criança estava que era pele e osso e dona Olga parecia cair de magra. Um horror! E olhe que ela era uma mulher e tanto.

Remédio e mais remédio. Benzedura e mais benzedura. Simpatias e outras coisas. Tudo em vão.

O desespero invadiu a casa e todo o vizindário estava alarmado com o causo.

O verão chegara e o calor era intenso. Uma noite, como não agüentasse mais dentro do rancho, tio João, lá pelas tantas, acordou e resolveu chegar à janela. A lua brilhava com intensidade. A noite, de tão clara parecia dia. Tio João pensou em dar uma volta pelo terreiro. E ao voltar-se um raio lindo da lua batia em cheio na cama do casal, onde dona Olga, fraca e esgotada dormia ao lado do pequeno. Olhou o quadro e duas lágrimas lhe rolaram, dos olhos muitos azuis, cor daquele céu que a lua prateava. Ia sair do quarto quando uma coisa qualquer, escura, se mexeu de mansinho em cima do alvo lençol. Assustado, inclinou-se sobre o leito e viu, estarrecido enorme cobra que se afastava serenamente! gorda e lustrosa! Tinha, ainda, na boca da criança, a ponta do rabo. E viu, também, que Joãozinho chupava-o para valer!

Devagarinho, pra não acordar a dona e assustá-la, tio João, que então compreendeu a causa daquela definhação toda, afastou-se um pouco para dar tempo a que a cobra descesse e seguisse seu caminho.

Desceu pelo pé do leito e, rastejado preguiçosamente, desapareceu por um buraco da parede junto ao chão de terra batida. Chegando à janela, viu-a no terreiro. De mansinho por ali mesmo e, armando-se de uma acha de lenha, esmagou-a com fúria.

Mas como dizem que quando se mata uma cobra a companheira aparece alguns dias depois, à procura do matador, tio João nada disse à esposa, nem a ninguém. Ficou esperando a companheira. Na noite seguinte ela apareceu, que de certo eram sócias no leite de dona Olga, as malvadas! — e sem cerimônia atravessou o terreiro e rumou direitinho pro buraco! E foi logo entrando. Então tio João agarrou-a pelo rabo e — zás! — deu com ela no terreiro como se fosse açoiteira de velho, espatifando-a. Fechou o buraco com todo o cuidado e foi dormir.

E dormiu como um justo.

No outro dia contou tudo.

E o mistério se explicou.

Daí por diante a coisa endireitou de novo. Dona Olga recuperou a saúde e a disposição e o piasote engordou outra vez que era um gosto. Tornou-se o mais lindo e robusto guri da zona. E teve mais quatro irmãos, dois homens e duas mulheres. Lindos todos!

Por isso tomem cuidado! Mulher que amamenta, mesmo nas cidades, deve dormir em quarto bem fechado. Não vá alguma “cobra que mama” entrar e fazer as suas…

Cobra, seu moço, é o diabo. E isto desde que o mundo é mundo…

(Spalding, Walter. “Cobra sabida”. Jornal do Dia. Porto Alegre, 07 de abril de 1957)
Gestor Box