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A arte de contar histórias e sua importância no desenvolvimento infantil
A arte de contar histórias e sua importância no desenvolvimento infantil

por Celso Sisto*

“O imaginário é o motor do real”

Jaqueline Held

Sabemos, com todos os pontos e vírgulas, que contar histórias é extremamente importante e benéfico para as crianças, desde a mais tenra idade. Há quem afirme a eficácia de embalar os bebês, ainda no ventre, com a melodia da voz da mãe, contando histórias, para familiarizar a criança desde aí, com os mecanismos narrativos, e com a proximidade e o afeto que o contar histórias envolve. Essas ações, de certo modo, já fazem parte das estratégias para a formação do leitor.

Mas, além disso, sabemos que a história narrada, por escrito ou oralmente, nos permite também aquisições em diversos níveis. Isto é: contar histórias para as crianças permite conquistas, no mínimo, nos planos psicológico, pedagógico, histórico, social, cultural e estético.

Ao ouvir uma história, as crianças (e o leitor em geral) vivenciam, no plano psicológico as ações, os problemas, os conflitos dessa história. Essa vivência, por empréstimo, a experimentação de modelos de ações e soluções apresentadas na história fazem aumentar consideravelmente o repertório de conhecimento da criança, sobre si e sobre o mundo. E tudo isso ajuda a formar a personalidade!

Ao fazer contato com a obra de arte, no caso, a literatura, a criança participa de uma ação pedagógica, mesmo que não seja essa a função da narração oral ou do texto literário. A sujeição à experiência artística educa, em sentido amplo. No mínimo educa para a escuta coletiva, para as regras de convivência social, para a percepção da igualdade ou da diferença, para os mecanismos da comunicação lingüística, para o reconhecimento e uso da emoção, para a diversidade estética, para a constatação dos usos do tempo e do espaço etc.

Mas nem sempre essa experiência ampla do “aprender” é facilmente decodificável, como muitas vezes querem professores e escolas!

Portanto, a experiência literária implicada no ouvir uma história, vai muito além da simples retenção de informação e nem sempre é imediatamente traduzível para o ouvinte. Mas há quem insista nisso, obrigando as crianças a transformarem em palavras ou em novos produtos artísticos (como desenhos, resumos, poemas, comentários, etc.) a experiência que acabaram de viver!

As histórias narradas oralmente proporcionam às crianças uma visão epocal (ainda que de uma forma esboçada), seja do seu tempo, seja de outros tempos. O recorte oferecido pela história delineia sempre uma época, um conjunto de costumes, comportamentos, vivências, códigos de ações, uma ética, que acabam fazendo do texto esse complexo histórico. E se as histórias forem ainda contos populares, há a possibilidade de revelarem uma sabedoria ancestral e a tradição dos povos, com temáticas de caráter universal e neste caso, apagando (borrando ou tornando elástica) a linha do tempo, pela potencialização de questões que são de ontem e hoje, de todo e qualquer tempo!

Contar oralmente uma história está relacionado ao reunir, ao criar intimidade, ao ato de entrega coletiva. É um ato agregador de pessoas; é o exercício do encontro – consigo, com os outros, com o universo imaginário, com a realidade, por extensão! Por isso, esse costume milenar é também socializante! E mais, na medida em que o universo narrativo de uma história revela modos de interação social entre os personagens, também nos revela um quadro de modelos, a serem seguidos ou a serem questionados. Muitas vezes punidos ou premiados. Do esquematismo e maniqueísmo dos contos clássicos ou populares à interação dos contrários num mesmo sujeito, da literatura contemporânea, a história permite e convida também à comparação com os modelos sociais que conhecemos ou à descoberta de novos modelos. Sem dúvida, para quem está aprendendo a estar no mundo há pouco tempo, esse material é de importância inquestionável!

Na medida em que se familiarizam  com a arte (a arte da palavra, a arte do contar – no caso mais específico, a literatura), as crianças vão percebendo os elementos estéticos – os elementos que fazem daquele “objeto” um objeto de arte. Elas também vão, desde cedo, criando critérios de valoração (mesmo que de forma simples), de comparação, de classificação, de fruição (o prazer de ouvir; o prazer de ter contato com uma história bonita e bem contada; o prazer de ver imagens (ilustrações) instigantes nos livros, etc). A convivência e familiaridade com a arte faz surgir a necessidade de torná-la cada vez mais presente no cotidiano, no dia-a-dia, na vida. A arte passa a ser não só o escudo, mas a metáfora necessária para a criança entender o mundo e até se proteger (futuramente?) das agruras da vida. A arte passa não só a ter um valor como a ser um valor. E a literatura, pouco a pouco, vai se tornando esse valor na vida do leitor. Prazer e catarse também entram nesta relação!

De forma mais global, a literatura exige do ouvinte uma forma específica de recepção e de criação, diferente do que exigem outros veículos de comunicação. O ouvinte, ao receber um conjunto de estímulos (sonoros, rítmicos, plásticos, emocionais, etc.) através da narração oral é convidado a recriar as idéias lançadas pelo narrador, para compreender, acompanhar e ressignificar a história que está ouvindo. Tanto a leitura como a narração oral, fazem o ouvinte experimentar o papel de co-autor. E ainda mais, são também ampliadoras do repertório cultural, que é sempre cumulativo: quanto mais histórias uma criança ouve, quanto maior o convívio orgânico com as artes – convívio ativo, que engloba o contemplar e o fazer-, maior será a dimensão cultural vislumbrada pela criança.

Por tudo isso, pode-se dizer: as crianças que têm contato com as histórias desenvolvem mais a imaginação, a criatividade e a capacidade de discernimento e crítica; na medida em que se tornam ouvintes e leitores críticos, as crianças assumem o protagonismo de suas próprias vidas. O que começou, lá no passado com o objetivo de apontar padrões sociais aceitáveis – “instruir mais que divertir” foi sempre o objetivo dos textos direcionados às crianças – pode, gradualmente, se tornar também um saudável exercício de cidadania, se proporcionar a discussão, a contestação e a relativização das idéias. Essa dimensão nunca pode ser ignorada pelo professor que usa as histórias em seu trabalho na sala de aula. Isso tudo somado à experiência estética que a narração oral proporciona é mais do que suficiente para os livros se tornarem companheiros inseparáveis das crianças no processo de aprendizagem e aquisição do gosto pela leitura.

Mas o grande salto só ocorrerá, se o narrador souber transformar a narração oral numa experiência artística de alto nível. Para isso, concorrem a qualidade do narrador (que deve ser um grande leitor!), a sua preparação (prévia) como contador de histórias e sua habilidade em escolher obras que reúnam comprovadas qualidades literárias.

 


Referências

AGUIAR, Vera Teixeira de (org.) Era uma vez…na escola: formando educadores para formar leitores. Belo Horizonte, Formato Editorial, 2001 (série Educador em formação).

ARIÈS, Philippe. História social da criança e da família. Trad. Dora Flaksman. Rio de Janeiro, Zahar Editores, 1978.

BETTELHEIM, Bruno. A psicanálise dos contos de fadas. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1980.

CORAZZA, Sandra Mara. História da infância sem fim. Ijuí-RS, Unijuí, 2000.

PRIETO, Heloisa. Quer ouvir uma história: lendas e mitos no mundo da criança. São Paulo, Angra, 1999.

DA SILVA, Ezequiel Teodoro. Elementos de Pedagogia da Leitura. (3ª ed.) SP : Martins Fontes, 1993.

HELD, Jacqueline. O imaginário no poder. Trad. Carlos Rizzi. São Paulo, Summus editorial, 1980.

JACOBY, Sissa (org.). A criança e a produção cultural: do brinquedo à literatura. Porto Alegre, Mercado Aberto, 2003. 

MACHADO, Ana Maria. Como e porque ler os clássicos universais desde cedo. Rio de Janeiro, Objetiva, 2002. 

MANGUEL, Alberto. Uma história da leitura. Trad. Pedro Maia Soares. São Paulo, Cia. das Letras, 1997.

PRIETO, Heloisa. Quer ouvir uma história: lendas e mitos no mundo da criança. São Paulo, Angra, 1999.

SISTO, Celso. Textos e pretextos sobre a arte de contar histórias (2ª ed. revista e ampliada). Curitiba, Positivo, 2005.

ZILBERMAN, Regina. Como e por que ler a literatura infantil brasileira. Rio de Janeiro, Objetiva, 2005.

 


*Celso Sisto é escritor, ilustrador, contador de histórias do grupo Morandubetá (RJ), ator, arte-educador, especialista em literatura infantil e juvenil, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Mestre em Literatura Brasileira pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e responsável pela formação de inúmeros grupos de contadores de histórias espalhados pelo Brasil. Tem 30 livros publicados para crianças e jovens e recebeu os prêmios de autor revelação do ano de 1994 (com o livro Ver-de-ver- meu-pai, Editora Nova Fronteira) e ilustrador revelação do ano de 1999 (com o livro Francisco Gabiroba Tabajara Tupã, da editora EDC); ambos concedidos pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ). Vários dos seus livros também receberam o selo Altamente Recomendável, desta mesma Fundação.

#Popularium: Os filhos do Boto
#Popularium: Os filhos do Boto

 

Quase todo mundo conhece alguma lenda, conto popular, histórias de assombração, causo que vira e mexe acontece… Mas você já se perguntou de onde ou como essas tradições orais surgiram?

O portal Mundo Freak decidiu investigar algumas histórias de tradição oral e criou a série de podcasts “Popularium”. A intenção é explorar os mitos, lendas e folclores de modo a entender suas origens e como dialogam com a sociedade.

Em parceria com o portal, compartilhamos no site Cia ContaCausos os podcasts (que podem ser baixados). Desta vez, a lenda investigada é “Os filhos do Boto”. Costuma-se dizer que os filhos de “pais desconhecidos” são crianças do Boto, que se transforma em um galã vestido de branco, com um grande chapéu que esconde suas narinas e seduz as mulheres.

OUÇA O PODCASTPopularium 01: Os filhos do Boto

DOWNLOAD Popularium 01: Os filhos do Boto

Conheça mais

O portal Mundo Freak surgiu em agosto de 2012, fundado pelo escritor Andrei Fernandes, pela gerente de mídias sociais Ira Morato e pelo professor de história Rafael Jacaúna. A intenção do portal é criar e compartilhar conteúdos sobre cultura popular.

Os episódios de “Popularium” são produzidos através da pesquisa e compilação realizadas por Andrei Fernandes e Andriolli Costa (criador do O colecionador de Sacis).

 

* Conteúdo originalmente publicado no portal Mundo Freak

ContaCausos realiza curso de formação com professores do Sesc Santa Catarina
ContaCausos realiza curso de formação com professores do Sesc Santa Catarina

 

Mais do que ‘ensinar a contar’ histórias, foi um encontro para entender a potência humanizadora das narrativas orais na escola. Assim podemos resumir O curso“Contar histórias na escola: um exercício de humanidade” ministrado por Josiane Geroldi da Cia ContaCausos. A convite do Departamento Regional de Educação do Sesc de Santa Catarina, a atividade reuniu professores na unidade do Sesc escola em Palhoça e São Miguel do Oeste e teve a intenção de problematizar a relevância histórica, social e as possibilidades artísticas da contação de histórias na contemporaneidade.

Ouvir e contar histórias  já foi uma prática comum entre famílias, mas com as transformações das relações familiares o espaço escolar tem se tornado cada vez mais atrativo a essa prática de encontro com a humanidade que existe em nós. Para Josiane as narrativas orais preservam a qualidade de sensibilização humana. Isso porque tocam de forma muito singular cada pessoa. E assim foi conduzido o curso, com foco na instrumentalização dos professores às técnicas e reflexões sobre a contação de histórias. Ou seja, a proposta foi apresentar maneiras e caminhos para realizar a arte narrativa através de experiências significativas no espaço escolar.

texto

“O curso foi tão intenso que parece ter durado meses”, brinca Franciele Pires, professora do Sesc em Palhoça e participante. “Eu mergulhei de cabeça em tudo o que conversávamos. Viajei por todos os lugares e descobri que posso ir muito mais além”. Segundo Franciele, a experiência a inspirou, dentre outras coisas, a ser mais humana.

 

 

15 livros e vídeos (em Libras) para montar sessões de histórias
15 livros e vídeos (em Libras) para montar sessões de histórias

 

Que tal aumentar o repertório com histórias e, além disso, ter referências para montar os cenários? Não é o bastante? Para melhorar, os vídeos de contação estão legendados em Libras (Língua Brasileira de Sinais).

Iniciativa da Fundação Educar DPaschoal, a coleção “Histórias Para Contar” reúne contos, livros, vídeos e tutoriais para montar sessões de contação.

A série apresenta alternativas práticas de apoio à contação, fazendo uso de materiais e objetos do dia-a-dia. Inclusive, pode ser criado com as crianças. Os vídeos podem ser apresentados em sala de aula ou servir como ferramenta de estímulo à criação e imaginação.

Abaixo, disponibilizamos o arquivo em PDF para download e os links dos vídeos. Agora, é só compartilhar todo esse material!

 

Fonte: Fundação Educar DPaschoal


JOÃO DA ÁGUA

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Veja o tutorial

 

A SEMENTE DA VERDADE

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TIRRIM E COCORICÓ

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Veja o tutorial

 

O DINHEIRO QUE CAIU DO CÉU

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Veja o tutorial 

 

A CUMBUCA DE OURO

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Veja o tutorial 

 

AS ESTRADAS DE COURO 

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Veja o tutorial 

 

A FORMIGA E A MOSCA

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LIÇÃO DE VOO

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AS TRÊS PERGUNTAS DO REI 

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Veja o tutorial 

 

O LIVRO QUE QUERIA SER BRINQUEDO 

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Veja o tutorial

 

A HISTÓRIA QUE MORA NAS COISAS 

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Veja o tutorial

 

A GALINHA QUE SABIA LER

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Veja o tutorial

 

O LIVRO QUE NÃO TINHA FIM 

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Veja o tutorial

 

O PÁSSARO SEM COR

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Veja o tutorial 

 

O VESTIDO AZUL

Baixe o livro em PDF  

Veja o tutorial 

 

#Popularium: A lenda da Mulher do Padre (Mula sem Cabeça)
#Popularium: A lenda da Mulher do Padre (Mula sem Cabeça)

 

Quase todo mundo conhece alguma lenda, conto popular, histórias de assombração, causo que vira e mexe acontece… Mas você já se perguntou de onde ou como essas tradições orais surgiram?

O portal Mundo Freak decidiu investigar algumas histórias e criou a série de podcasts “Popularium”. A intenção é explorar os mitos, lendas e folclores de modo a entender suas origens e como dialogam com a sociedade. Em parceria com o portal, compartilhamos no site Cia ContaCausos os podcasts (que podem ser baixados). No primeiro episódio, a lenda investigada é a “Mulher do Padre”. Desconhece esse nome? Talvez porque ela também seja chamada de Mula Sem Cabeça.

OUÇA O PODCASTPopularium 00: Mulher do Padre

DOWNLOAD Popularium 00: Mulher do Padre

 

Conheça mais

O portal Mundo Freak surgiu em agosto de 2012, fundado pelo escritor Andrei Fernandes, pela gerente de mídias sociais Ira Morato e pelo professor de história Rafael Jacaúna. A intenção do portal é criar e compartilhar conteúdos sobre cultura popular, entretenimento, mistérios e conteúdo freak

Os episódios de “Popularium” são produzidos através da pesquisa e compilação realizadas por Andrei Fernandes e Andriolli Costa (criador do Colecionador de Sacis).

 

* Conteúdo originalmente publicado no portal Mundo Freak

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