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Tag: contar histórias

Pinhalzinho recebe espetáculo “Esticando as Canelas”, da Cia ContaCausos
Pinhalzinho recebe espetáculo “Esticando as Canelas”, da Cia ContaCausos

Bem-humorada, sessão de contos apresenta as tradições e crenças sobre a morte

Quem gosta de ouvir boas histórias tem um motivo a mais para sair de casa neste fim de semana. A Cia ContaCausos apresentará o espetáculo “Esticando as Canelas” no Centro de Arte Paola Zonta, em Pinhalzinho. Seja adulto ou criança, os causos cativam todos os públicos, por isso é melhor se programar e comprar seu ingresso com antecedência.

esticando as canelas 02

Contar histórias, compartilhar a sabedoria popular e dar voz à cultura oral brasileira são os objetivos da Cia ContaCausos. Há sete anos, a idealizadora do projeto, Josiane Geroldi, se propõe a pesquisar, registrar e difundir a arte da narrativa oral. O trabalho da Cia, que já levou alguns espetáculos para importantes eventos no Brasil, como o Boca do Céu – Encontro Internacional de Contadores de Histórias, resulta em apresentações artísticas, oficinas e mapeamento dos saberes tradicionais.

“Cada vez mais eu tenho identificado que as histórias, de fato, são universais. Mesmo quando utilizamos expressões regionais ou contamos causos específicos de uma localidade, o imaginário social e as experiências humanas são muito comuns, e isso acaba tornando a história uma linguagem universalizada”, afirma Josiane.

Vozes e memórias

Muito familiarizada com as narrativas do Oeste catarinense, a ContaCausos desempenha uma função essencial para a cultura popular e, especialmente, a cabocla. Várias histórias do acervo de Josiane derivam das experiências vividas pelos povos tradicionais. “A Cia sempre teve certa inclinação a essas comunidades, tanto pelo trabalho de pesquisa com os caboclos quanto pela própria literatura oral”, acrescenta a contadora.

Na próxima sexta-feira, dia 7, é dia de conhecer as histórias de Zé Malandro, que tenta enganar a Dona Morte em “Esticando as Canelas”. Humoradas, as narrativas lembram as malandrices do moço, ao tentar escapar da Morte. A apresentação, com classificação indicativa de 6 anos, será às 19h, no Centro de Arte Paola Zonta, na avenida Capitão Anísio, 601, Centro. O ingresso custa R$ 10,00 e pode ser adquirido diretamente no Centro ou através do telefone (49) 3199-2057.

 

Fotos: Augusto Zeiser

Histórias Pra Contar: O Sal e o Rei
Histórias Pra Contar: O Sal e o Rei

Num reino nem tão distante, havia um velho rei que tinha três filhas muito belas. Certo dia, o rei perguntou a cada uma delas:
– Quanto você ama seu pai?

A mais velha foi a primeira a responder:
– Quero mais a meu pai do que a luz do Sol.

Em seguida, a irmã do meio respondeu:
– Gosto mais do meu pai do que de mim mesma.

A mais jovem foi a última a responder:
– Quero-lhe tanto como a comida quer o sal, meu pai!

O rei achou estranho aquela resposta. E entendeu que sua filha mais nova não lhe amava quanto as demais. Decidiu que ela deveria ir embora, que não poderia morar com eles, e expulsou a menina do palácio.

A jovem princesa ficou muito triste e nem pôde se despedir das irmãs. Andou por muitos caminhos e riachos, até chegar ao castelo de outro rei. Chegando lá, pediu um lugar para morar e em troca seria a cozinheira do palácio. O rei aceitou e assim ela continuou, cozinhando e morando novo castelo.

Num dia, chegou à mesa uma grande panela de guisado, muito bem feito. O serviu-se e quando levou a colher à boca quase engoliu um anel de ouro. Irritado, perguntou a todas as damas da corte de quem era aquele anel. Todas as mulheres tentaram colocar a joia no dedo, mas não servia em nenhuma delas. Chamaram a princesa cozinheira e nela o anel encaixou.

O príncipe se apaixonou pela jovem e notou que aquela joia só poderia ser de alguém da realeza. Imaginou que a moça era de família nobre. O príncipe passou a espiar a princesa, porque a jovem cozinhava somente às escondidas. Foi quando ele a viu vestida em trajes nobres e soube que ela era princesa. Chamou o rei, seu pai, para que ele também visse. O príncipe pediu a mão da jovem em casamento e o rei deu licença para os dois casarem. A princesa impôs uma condição: ela queria cozinhar o jantar da festa de noivado. O rei disse que tudo bem e assim aconteceu.

No dia do noivado, muitos rainhas e reis foram convidados. O pai da menina, que a expulsou de casa, e suas irmãs também foram à festa. Na hora do jantar, todos estavam servidos e comendo à mesa. Mas a princesa decidiu não colocar sal no prato de seu pai. Os convidados se esbanjavam com o banquete, mas somente o pai da princesa não comia. O pai do príncipe estranhou e pediu:
– Rei amigo, por que sua alteza não está comendo conosco?

O rei respondeu, sem saber que se tratava do casamento da filha:
– É porque a comida não tem sal, caro amigo.

O pai do noivo ficou furioso e pediu que a cozinheira viesse explicar por que o prato do Rei amigo não estava salgado.

Veio, então, a jovem princesa. Quando seu pai a viu, reconheceu a filha e logo confessou sua culpa, muito arrependido do que havia feito. Ele pediu desculpas por não ter percebido quanto era amado pela sua filha. Lembrou que a moça lhe tinha dito que lhe amava tanto como a comida quer o sal. E redimiu-se em frente de todos.

Ilustração: Helena Heleno

Versão adaptada do conto original escrito por Teófilo Braga (Contos Tradicionais do Povo Português, 1883), recorrente desde a colonização portuguesa.
História Pra Contar: Os Compadres Corcundas
História Pra Contar: Os Compadres Corcundas

Era uma vez, dois compadres corcundas, um Rico outro Pobre. O povo do lugar vivia zombando da corcunda do Pobre e não reparava no Rico. A situação do Pobre, que era caçador, andava meio mal.

Certo dia, sem conseguir caçar nada, já tardinha, sem querer voltar para casa, o Pobre resolveu dormir ali mesmo no mato.

Quando já ia pegando no sono ouviu uma cantiga ao longe, como se muita gente cantasse ao mesmo tempo.

Saiu andando e andando no rumo da cantiga que não parava. Depois de muito andar, chegou numa clareira iluminada pelo luar e viu uma roda de gente esquisita, vestida de diamantes que brilhavam com a lua. Velhos, rapazes, meninos, todos cantavam e dançavam de mãos dadas, o mesmo verso, sem mudar:

– “Segunda, Terça-feira, Vai, vem! Segunda, Terça-feira, Vai, vem!”

Tremendo de medo, escondeu-se numa moita e ficou assistindo aquela cantoria que era sempre a mesma durante horas e horas.

Depois ficou mais calmo e foi se animando. E como era metido a improvisador, entrou no meio da cantoria entoando:

– “Segunda, Terça-feira, Vai, vem! E Quarta e Quinta-feira, Meu, bem!”

Imediatamente todos ficaram em silêncio, e o povo espalhou-se à procura de quem havia falado. Pegaram o corcunda e o levaram para o meio da roda. Um velhão, então, perguntou com voz delicada:

– Foi você quem cantou o verso novo da cantiga?

– Sim, fui eu, Senhor!

– Quer vender o verso? – perguntou o Velhão.

– Olha, meu senhor, não a vendo. Melhor, dou-lhes de presente, porque gostei demais do baile animado.

O Velho achou graça e todo aquele povo esquisito riu também.

– Pois bem – disse o Velhão – uma mão lava a outra. Em troca do verso eu te tiro essa corcunda e esse povo te dá um Bisaco novo!

O Velho passou a mão nas costas do caçador Pobre e a corcunda , como numa mágica, sumiu. As pessoas lhe deram um Bisaco novo e disseram que ele deveria abrir somente quando o sol nascesse.

O Caçador meteu-se na estrada e foi embora. Assim que o sol nasceu abriu o bisaco e o encontrou cheio de pedras preciosas e moedas de ouro.

No outro dia comprou uma casa com todos os móveis, comprou uma roupa nova e foi à missa porque era domingo. Lá na igreja encontrou o compadre Rico, também corcunda. Ele quase caiu de costas, ficou muito surpreso com a mudança. Mais espantado ficou quando o compadre, antes pobre e agora rico, contou tudo que aconteceu ao compadre Rico.

Cheio de ganância, o Rico resolveu arranjar ainda mais dinheiro e livrar-se da corcunda nas costas.

Esperou uns dias e depois se meteu no meio do mato. Tanto fez que ouviu a cantoria e foi na direção da toada. Achou o povo esquisito dançando numa roda e cantando:

– “Segunda, Terça-feira, Vai, vem!

Quarta e quinta-feira, Meu, bem!”

O Rico não se conteve. Abriu o par de queixos e foi logo berrando:

– “Sexta, Sábado e Domingo, Também!”

Como antes, todos ficaram em silêncio. O povo esquisito voou para cima do homem atrevido e o levaram para o meio da roda onde estava o Velhão. Esse gritou, furioso:

– Quem mandou se meter onde não é chamado, seu corcunda besta? Você não sabe que gente encantada não quer saber de Sexta-Feira, dia em que morreu o filho do alto?!

O corcunda Rico olhou sem reação e nada disse. O Velhão continuou exclamando em voz alta:

– Gente encantada não quer saber de Sábado, o dia em que morreu o filho do pecado, e nem de Domingo, dia em que ressuscitou quem nunca morre! Não sabia disso? Pois fique sabendo! E para que não se esqueça da lição, leve a corcunda que deixaram aqui e suma-se da minha vista, senão acabo com seu couro!

O Velhão passou a mão no peito do corcunda Rico e deixou ali a corcunda do compadre Pobre. Depois, deram uma carreira no homem, que ele não sabe como chegou em casa.

E assim viveu o resto de sua vida: Rico, mas com duas corcundas, uma na frente e outra atrás. As corcundas tornaram-se seu fardo, para ele deixar de ser ambicioso.

20 de março – Dia Internacional dos Contadores de Histórias
20 de março – Dia Internacional dos Contadores de Histórias

A palavra dita atravessa os tabiques do tempo e se lança pelas múltiplas vozes, universalizando a narrativa.

20 de março é o Dia Internacional do Contador de Histórias, dia de evocar a humanidade pela linguagem, dia de adorar o sagrado da ancestralidade que nos dá forma!

Esta é a homenagem da Cia ContaCausos aos narradores, contadores, oradores e aos “relatadores” dos causos da vida.

Contar Histórias é o que nos move! bem vindo 2017!
Contar Histórias é o que nos move! bem vindo 2017!

Contar as histórias da nossa gente é o que nos move. Em 2017 a Cia Contacausos comemora 7 anos de caminhada.

No ano que passou realizamos 182 apresentações em 47 municípios brasileiros nos Estados de Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais, São Paulo e Mato Grosso. Tivemos a honra de participar como convidados de importantes festivais e encontros nacionais e internacionais de contadores de histórias como o Boca do Céu em São Paulo e o Ecoh em Londrina. Não é possível mensurar a quantidade de ouvintes que foram atravessados pela nossa voz. Foram diversos eventos literários, feiras de livros, maratonas de contos, grandes projetos de circulação do Sesc em Santa Catarina, Paraná e Minas Gerais. Rodas de histórias, oficinas, palestras, pessoas e chão. Muito chão. Guimarães Rosa disse que “quem elegeu a busca, não pode recusar a travessia”, atravessamos e seguimos buscando novos caminhos para caminhar. Em 2017 nós vamos caminhar para contar histórias com você também. Navegue pelo nosso site, conheça o repertório de espetáculos narrativos, a pesquisa, projetos e oficinas.

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