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Tag: Cia Contacausos

História Pra Contar: A Águia e a Galinha
História Pra Contar: A Águia e a Galinha

Num certo dia, um camponês foi até a floresta vizinha apanhar um pássaro, pois queria uma nova companhia. Caçou e caçou até conseguir um filhote de águia.

O homem achou melhor colocar o pequeno pássaro no galinheiro, pra viver com as galinhas. Se o animal tinha penas, que diferença faria? Pois fez isso e em pouco tempo a águia cresceu. Ficou tão acostumada, que até pensava ser um galinha.

Muito tempo se passou e numa certa manhã o camponês recebeu em sua casa a visita de sua prima, uma naturalista. Uma daquelas estudiosas da natureza. Enquanto os dois passeavam pelo jardim, o sua prima olhou pro animal no galinheiro e disse:

– Primo, esse animal de penas não é uma galinha. É uma águia!

– Eu sei, prima! É uma águia. Mas eu a criei como galinha. Ela não é mais águia. Agora vive como se fosse galinha, igual às outras.
– Não, retrucou a naturalista. Ela é e sempre será uma águia. Este coração a fará voar muito alto um dia. É da natureza dela.
– Eu acho que não, disse o camponês. Depois de tanto tempo ela já virou galinha e nem sabe como voar.

Os dois discutiram mais um pouco e decidiram fazer um teste. A prima pegou a águia, colocou no seu braço e a ergueu bem alto. Como num desafio, ela gritou:

– Já que você é águia e nasceu assim, já que você pertence ao céu e não à terra, abra suas asas e voe!

A águia não reagiu. Ficou sentada no braço da moça, bem quietinha. O pássaro ficou olhando as galinhas no chão, ciscando grãos, e pulou do braço para ficar com elas.

E o camponês comentou:

– Eu lhe disse, prima! Ela virou uma simples galinha!
– Não, tornou a insistir a prima. Ela é uma águia. E uma águia sempre será uma águia. Vamos experimentar novamente amanhã.

No dia seguinte, logo cedo a naturalista subiu com a águia no teto da casa. Tentou de outra forma: sussurrou bem baixinho para o pássaro:

– Águia, já que você é uma águia, abra suas asas e voe. Você pode!

A águia abriu suas asas, mas quando viu as galinhas ciscando no quintal, fez a mesma coisa: pulou para o chão e ciscou em busca de minhocas.

O camponês começou a dar risada da prima e disse:

– Prima, desista, o pássaro se tornou uma galinha. Nunca voará!
– Eu não desisto! disse a moça, com voz firme e séria. Ela é uma águia, nasceu para voar entre as nuvens. Ela sempre terá o coração de uma águia. Preciso de tempo, vamos tentar amanhã pela última vez.

Mais um dia se passou. Os dois levantaram bem cedo, o sol ainda estava nascendo. Pegaram a águia e a levaram para o alto de uma montanha. O céu estava limpo, sem nuvens, e os raios de sol começaram a pintaram a paisagem.

A prima colocou a águia em seu braço, a ergueu o mais alto que conseguiu e gritou com toda a força:

– Águia, já que você é uma águia, já que você pertence ao céu e não à terra, abra suas asas e voe agora!

A águia olhou ao redor. Tremia, como se experimentasse uma nova vida. Mas não voou. A moça já estava ficando nervosa. Mas continuou segurou a águia bem firme na direção do sol, de sorte que seus olhos pudessem se encher de claridade e ganhar as dimensões do horizonte.

Foi quando o pássaro abriu suas enormes asas. Ergueu-se soberana sobre si mesma. E começou a voar, a voar para o alto e voar cada vez mais alto, batendo as asas cada vez mais forte. Foi, então, que a águia entendeu suas asas no vento, cantou bem alto e voou muito, mas muito longe e nunca mais retornou.

Parábola original de James Aggrey. Adaptação extraída do livro “A Águia e a Galinha”, de Leonardo Boff.
História Pra Contar: Os Compadres Corcundas
História Pra Contar: Os Compadres Corcundas

Era uma vez, dois compadres corcundas, um Rico outro Pobre. O povo do lugar vivia zombando da corcunda do Pobre e não reparava no Rico. A situação do Pobre, que era caçador, andava meio mal.

Certo dia, sem conseguir caçar nada, já tardinha, sem querer voltar para casa, o Pobre resolveu dormir ali mesmo no mato.

Quando já ia pegando no sono ouviu uma cantiga ao longe, como se muita gente cantasse ao mesmo tempo.

Saiu andando e andando no rumo da cantiga que não parava. Depois de muito andar, chegou numa clareira iluminada pelo luar e viu uma roda de gente esquisita, vestida de diamantes que brilhavam com a lua. Velhos, rapazes, meninos, todos cantavam e dançavam de mãos dadas, o mesmo verso, sem mudar:

– “Segunda, Terça-feira, Vai, vem! Segunda, Terça-feira, Vai, vem!”

Tremendo de medo, escondeu-se numa moita e ficou assistindo aquela cantoria que era sempre a mesma durante horas e horas.

Depois ficou mais calmo e foi se animando. E como era metido a improvisador, entrou no meio da cantoria entoando:

– “Segunda, Terça-feira, Vai, vem! E Quarta e Quinta-feira, Meu, bem!”

Imediatamente todos ficaram em silêncio, e o povo espalhou-se à procura de quem havia falado. Pegaram o corcunda e o levaram para o meio da roda. Um velhão, então, perguntou com voz delicada:

– Foi você quem cantou o verso novo da cantiga?

– Sim, fui eu, Senhor!

– Quer vender o verso? – perguntou o Velhão.

– Olha, meu senhor, não a vendo. Melhor, dou-lhes de presente, porque gostei demais do baile animado.

O Velho achou graça e todo aquele povo esquisito riu também.

– Pois bem – disse o Velhão – uma mão lava a outra. Em troca do verso eu te tiro essa corcunda e esse povo te dá um Bisaco novo!

O Velho passou a mão nas costas do caçador Pobre e a corcunda , como numa mágica, sumiu. As pessoas lhe deram um Bisaco novo e disseram que ele deveria abrir somente quando o sol nascesse.

O Caçador meteu-se na estrada e foi embora. Assim que o sol nasceu abriu o bisaco e o encontrou cheio de pedras preciosas e moedas de ouro.

No outro dia comprou uma casa com todos os móveis, comprou uma roupa nova e foi à missa porque era domingo. Lá na igreja encontrou o compadre Rico, também corcunda. Ele quase caiu de costas, ficou muito surpreso com a mudança. Mais espantado ficou quando o compadre, antes pobre e agora rico, contou tudo que aconteceu ao compadre Rico.

Cheio de ganância, o Rico resolveu arranjar ainda mais dinheiro e livrar-se da corcunda nas costas.

Esperou uns dias e depois se meteu no meio do mato. Tanto fez que ouviu a cantoria e foi na direção da toada. Achou o povo esquisito dançando numa roda e cantando:

– “Segunda, Terça-feira, Vai, vem!

Quarta e quinta-feira, Meu, bem!”

O Rico não se conteve. Abriu o par de queixos e foi logo berrando:

– “Sexta, Sábado e Domingo, Também!”

Como antes, todos ficaram em silêncio. O povo esquisito voou para cima do homem atrevido e o levaram para o meio da roda onde estava o Velhão. Esse gritou, furioso:

– Quem mandou se meter onde não é chamado, seu corcunda besta? Você não sabe que gente encantada não quer saber de Sexta-Feira, dia em que morreu o filho do alto?!

O corcunda Rico olhou sem reação e nada disse. O Velhão continuou exclamando em voz alta:

– Gente encantada não quer saber de Sábado, o dia em que morreu o filho do pecado, e nem de Domingo, dia em que ressuscitou quem nunca morre! Não sabia disso? Pois fique sabendo! E para que não se esqueça da lição, leve a corcunda que deixaram aqui e suma-se da minha vista, senão acabo com seu couro!

O Velhão passou a mão no peito do corcunda Rico e deixou ali a corcunda do compadre Pobre. Depois, deram uma carreira no homem, que ele não sabe como chegou em casa.

E assim viveu o resto de sua vida: Rico, mas com duas corcundas, uma na frente e outra atrás. As corcundas tornaram-se seu fardo, para ele deixar de ser ambicioso.

ContaCausos e Sesc Chapecó promovem Oficina de Contação de Histórias
ContaCausos e Sesc Chapecó promovem Oficina de Contação de Histórias

 

Atividade acontecerá em dois encontros e procura sensibilizar e formar novos contadores

Quem não lembra das histórias contadas pelos avós, das rodas de fogueira ou ao redor do fogão a lenha? Mas quem continua contando tais histórias hoje? Voltado ao fomento das tradições, o trabalho da Cia ContaCausos com as oficinas de formação busca incentivar e sensibilizar novos contadores. Além disso, a proposta é provocar reflexões sobre a narrativa oral, sua relevância história, social e cultural.

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Pensando nisso, o Sesc em Chapecó, em parceria com a Cia, promove uma Oficina de Contação de Histórias. Serão dois encontros onde educadores, contadores, pesquisadores, artistas, produtores e público interessado na arte da narrativa poderão aumentar o repertório sobre os estudos da oralidade. Pois ao se pensar em contação de histórias, emerge desse espaço inúmeras possibilidades: desde pesquisa e repertório à expressão corporal.

Ou seja, além de prática, a oficina pretende problematizar, analisar e instigar aos elementos que envolvem a pesquisa acerca das narrativas. “Toda narrativa oral é resultado de representações e expressões populares, de criações sobre a realidade. E isso faz parte da nossa identidade, da cultura, das construções simbólicas. Ou seja, pensar nas histórias envolve pesquisar o que elas representam e como dialogam com outros elementos da cultura”, salienta Josiane Geroldi, idealizadora da ContaCausos e oficineira.

Como faço minha inscrição?

A oficina será dividida em dois encontros (sábados): no dia 8 de julho e 15 de julho. Em ambos os dias, a programação será das 8h às 12h e das 13h30 às 19h30, totalizando 20 horas de curso (com emissão de certificado). As inscrições podem ser feitas na Unidade do Sesc em Chapecó, na rua Brasília, 475 D, no bairro Jardim Itália, local onde o encontro será realizado. A oficina possui investimento de R$ 100,00 (para público em geral) e R$ 50,00 (para comerciários, com carteirinha do Sesc). As vagas são limitadas, então se antecipe e garanta logo sua vaga.

Texto e fotos: Assessoria de Imprensa

Casa da Mãe Joana e ContaCausos realizam o “Arraiá na Maloca”
Casa da Mãe Joana e ContaCausos realizam o “Arraiá na Maloca”

 

Olha a festa junina, minha gente! E é verdade! Aos juninos de plantão, que procuram por festas de São João tradicionais, bora separar a melhor roupa xadrez, o chapéu de palha e “picar a mula” pro interior. A Casa da Mãe Joana, produtora cultural independente, em parceria com a Cia ContaCausos, realiza o “Arraiá na Maloca”, no próximo sábado (17),

Tipicamente caipira, a festividade vai contar com arrasta pé, baião, forró, xote, samba de coco, quadrilha e outros tantos ritmos nordestinos. Portanto, engraxe seu melhor sapato pra dar aquela impressionada na comunidade. Ah, e você pode levar seu instrumento musical para participar do forrobodó até o dia raiar!

arraia na maloca

Comidaiáda e musicaria

Nosso Arraiá vai ter fogueira, pipoca, quadrilha, quentão, bandeirolas… Inté casório. Vai ser festança das grande! Na barraca da Casa da Mãe Joana vai ter cachaça artesanal, chope, caldo quente, quentão de vinho, água e refrigerante (porque ninguém é de ferro). Mas sugerimos que a comunidade leve pratos típicos (de docin a salgadin) para compartilharmos entre todos e darmos continuidade à tradição da festa junina! Pedimos, também, que levem seus copos e canecas (de 300ml e 500ml), para ajudarmos o meio-ambiente. O Ateliê Uva Passa & Duna estará presente, vendendo os lindos “produtin” artesanais.

Festa de São João sem música não é festa! E pra esgualepar o esqueleto, preparamos um bocado de gente boa para deixar o baile uma belezura. No aquecimento, vai ter discotecagem com Selecta Groove, apresentando sua pesquisa de música do Nordeste e  Norte, “dispôis” vai ter o sinhô Márcio Pazin e Banda e, mais tardar, a tradicional Jam Session da Casa da Mãe Joana, que já esquentou palcos do Brasil “interin”.

Ingressos

Adiante o passo e aproveite o primeiro lote de ingressos a R$ 20,00 (R$ 10,00 meia-entrada para estudantes com apresentação de carteira na entrada do evento). O segundo lote será a R$25,00 (R$ 12,50 meia-entrada para estudantes). Você pode comprar antecipadamente na Dubba Uba, no site da Sympla (on-line) ou direto com a produção (Whats – 9 9974-2634 / Joana). O Arraiá será na “Nossa Maloca”, espaço de cultura e ocupação da Cia ContaCausos, na Linha Tafona, interior de Chapecó. A festança é para todas as idades e crianças com até 12 anos não pagam ingresso.

Programação:

16h: Discotecagem Selecta Groove

20h: Show Márcio Pazin & Banda

22h: Jam Session

 

Foto: Walfrido Tomas

Histórias Pra Contar: O conto de Saduci (Saci)
Histórias Pra Contar: O conto de Saduci (Saci)

Praticamente todo mundo conhece ou já ouviu falar no Saci-Pererê. O personagem folclórico é um dos mais recorrentes quando falamos em contação de histórias. Mas você conhece o conto do príncipe Saduci que tornou-se o popular Saci? Ainda não? Pois aqui está a lenda…

O conto de Saduci

Contam por aí, que o Saduci era um belo príncipe conhecido por sua bravura e força. Ele vivia muito feliz em sua terra natal e zelava pelo seu povo. Mas um dia, os portugueses invadiram sua aldeia, o sequestram e levaram embora muitos moradores para se tornarem escravos…

Quer saber o que aconteceu com Saduci? Continue lendo o conto.

Ilustração: Luiz Mendes

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